segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Elos- Capítulo 01.

OBS: SE VOCÊ NÃO LEU O CAP.0 NÃO VAI ENTENDER NADA.

Cena 01- BR-101/ Ext./ Noite.

Peninha abre a janela: Olá, seu policial...Bela noite, não?

O policial aponta a lanterna para seu rosto: Na verdade não, aconteceu um acidente ali pra frente, e vocês vão ter que ser um pouco pacientes...Posso ver o documento da sua caminhonete, senhor?

Peninha ri: Claro, jovem. Tá achando que eu não sei dirigir só porquê tenho mais de cinquenta? Saiba que aprendi quando tinha 15 anos, graças ao meu finado pai Lorbenildo. Até hoje não esqueci o dia em que atropelei ele sem querer e...

O policial corta a fala dele: Por favor, senhor, fale menos. Frases curtas são essenciais para a comunicação entre nós- Ele aponta a lanterna para Marcus, que está coberto com uma manta sobre o rosto- Quem é esse?

Peninha inventa: É o meu sobrinho, Chico. Tá dormindo, tadinho. A viagem foi cansativa. Melhor nem acordar ele...O pobre tem um problema raro de saúde. Se for acordado, morre na hora.

O policial aponta a lanterna para Marcus: Por favor, senhor, tire a manta do rosto de seu sobrinho Chico. Deixe o rosto dele visível.

Peninha, nervoso: Mas e se ele morrer? A culpa vai ser sua! O Bino não pode ser acordado!

Policial: Não era Chico? Ora, quer saber?- Ele tira a manta do rosto de Marcus com toda a força- É O BANDIDO MARCOLINO BANDEIROLA!

Peninha arregala os olhos: NÃO, É QUE MEU SOBRINHO CHICO É IDÊNTICO A ELE!- Ele cospe na cara do policial- FOGE, MARCOLINO!

Marcus sai correndo do caminhão, em direção a uma mata. Ele corre com toda a velocidade que pode, sem nem ao menos olhar para trás. Um grupo de policiais o persegue pelo estreito matagal. Marcus porém, mantém certa distância.

Peninha é algemado: Esperem...Vocês não podem me prender! Foi tudo um engano! Eu fui enganado por esse bandido, ele me chantageou- Ele é levado até a viatura.

Marcus percebe que o matagal acabou. Ele escuta um barulho de música e o segue, até se deparar com a luxuosa mansão de Tião, e uma larga faixa:

GRANDE FESTA ABERTA AO PÚBLICO- POR TIÃO DO POVÃO.

Marcus, desesperado: É pra essa festa que eu tenho que ir...- Ele corre até lá.

ELOS- CAPÍTULO 01.
Roteiro: Victor Morais.

Cena 02- Mansão de Tião/ Int./ Salão de Festas/ Noite.

Susana se aproxima de Jucy, que dança: Melhor irmos embora logo daqui. A chuva está aumentando, e dependemos de ônibus...Maldita hora em que fui concordar com essa história toda. Odeio mentir pra mamãe.

Jucy, com um copo de bebida na mão: RELAXA! Mamãe acha que a gente tá no culto, lembra? Aproveita a noite. Vai conhecer um carinha bacana, e deixa de ser esquentada...Pagamos cinquenta pro Guga nos acobertar.

Susana cruza os braços: Espero que ele não descubra hoje que a nota é falsa- Ela olha em seu relógio- Só te dou mais dez minutos, depois vamos embora. Aliás, eu vou embora sozinha, se quiser ficar aí...DEZ MINUTOS, JUCY! DEZ!- Ela se afasta.

Não muito longe, Alexandra decide ir ao encontro de Felipe, mas é barrada por Liana e Tião, que entram em seu caminho.

Liana, com a décima taça de champanhe na mão: Aproveitando a festa, cunhada? Pelo visto a ralé está...Já vi três miseráveis roubando comida e colocando na bolsa. Os pobres são tão peculiares...

Tião ri: Pare com seu ceticismo, pelo menos hoje, Liana! Vou fazer meu discurso de boas-vindas- Ele sai.

Alexandra procura por alguém: E eu vou no toalete. Com licença, Liana.

Felipe vê ela, e a segue até o banheiro feminino, sem ser percebido: Hora de fazer as cobranças...

Cena 03- Mansão de Tião/ Int./ Salão de Festas/ Noite.

Marcus entra na festa sem dificuldades, já que não era necessário convite, nem ser revistado pela segurança. Ele se infiltra pela pista de dança e passa por todos, até avistar uma área mais vazia. A varanda.

Susana respira um pouco de ar livre por lá, e quando decide voltar ao salão para buscar Jucy, acaba esbarrando no rapaz: Ai...- Eles trocam olhares- Desculpa, tava distraída aqui.

Marcus sorri: Não foi nada- Ele tenta se entrosar- Aproveitando a festa? Eu tô gostando muito...Como é o nome do aniversariante mesmo?

Susana: Pelo visto, você não sabe onde está...- Ela suspira- Foi um deputado bem popular que organizou esse evento aqui. Você não é daqui, né? Reconheço pelo sotaque. Carioca?

Marcus: Da gema. Cheguei hoje por aqui, com um amigo. Acabei me perdendo no meio da multidão, aí avistei um lugar mais tranquilo e vim pra cá. Não sou muito de agitações, sabe?

Susana: Eu também não...Com essa chuva então. E minha mãe acha que eu tô- Ela ri- Num culto. Me sinto culpada estando aqui...

Marcus a puxa: Eu tô sentindo uma energia muito negativa vinda de você... Vamos dançar um pouco, não precisa se sentir tão culpada assim. Às vezes é preciso diversão, uma mentirinha assim não prejudica ninguém.

Susana: É que eu preciso procurar minha irmã, temos que ir!

Marcus a pega pra dançar: E eu preciso procurar meu amigo. Temos tanto em comum, né? Vem, vamos dançando e procurando por eles...

Susana, envergonhada: Mas justo agora, colocaram uma música romântica!

Marcus: Então vamos ser românticos!- Os dois dançam, juntos- Achei que essa festa ia ser chata, mas pelo visto me enganei. A vida tem dessas...

Susana o olha: Enquanto eu não pisar no seu pé, tá tudo bem...

Marcus: Eu não me importaria- Ele a gira- Sua beleza compensa tudo.

Susana ri: Desculpa...Eu nunca sei reagir com essas frases.

Marcus: A maioria reage com um beijo, mas...

Susana: Mas, acabamos de nos conhecer. Eu nem sei seu nome. Você está se saindo bem na dança, senhor carioquinha...

Marcus: Então podemos nos conhecer melhor- Eles saem da pista- E eu sei como, senhora recifense- Ele a puxa para outro lugar.

Jucy observa tudo: Minha irmã se divertindo...Eu não acredito!- Ela fica feliz.

Cena 04- Mansão de Tião/ Salão de Festas/ Int./ Banheiro Fem./ Noite.

Alexandra sai do toalete, quando vê Felipe através do espelho: FELIPE?! O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?!- Ela olha nos outros boxes e nota que não há mais nenhuma mulher no recinto. Então, tranca o banheiro com chave- VOCÊ TÁ LOUCO DE INVADIR O BANHEIRO FEMININO? JÁ PENSOU SE TIVESSE ALGUÉM AQUI?! Combinamos na GARAGEM!

Felipe: Relaxa, Alê! Pra quê na garagem se aqui é tão mais confortável? Vai buscar a grana, vou ficar aqui esperando, quietinho!- Ele se olha no espelho- Tô um gato, né?

Alexandra, furiosa: Não queira ouvir minha resposta- Ela pensa um pouco- Fica aí, então...Eu volto já com sua dinheirama.

Felipe: Aproveita e traz um vinhozinho pra gente comemorar nossa linda parceria! Procurei pela festa, mas só tinha garçom servindo cerveja vagabunda. E disso, meu amor, eu já cansei!

Alexandra pensa um pouco: Vinho?- Ela tem uma ideia- Tudo bem, tudo bem...Fica aí, Lipe. Já volto- A madame sai, trancando o banheiro de novo.

Alexandra procura por Gaspar, o assassino que tinha contratado para matar Felipe. No entanto, não o acha, ainda mais com a multidão dançando e pulando. Assim, ela vai até a cozinha, onde os empregados trabalham fervorosamente. E se aproxima de Gordênia.

Alexandra: Pega um vinho qualquer na adega pra mim, Gordênia. Volto aqui em cinco minutos pra busca-lo- Ela sobe as escadas e vai até o quarto, onde pega uma maleta e a enche com papel qualquer. Posteriormente, volta para a cozinha.

Gordênia, com o vinho em mãos: Pode ser esse, dona Alê? Pra quê a senhora quer isso?

Alexandra, com pressa: Não questiona, Maria Gorda, me dá o saca-rolhas também- Ela recebe tudo- Vai até o DJ dessa festa e manda ele colocar a música mais barulhenta, diz que é ordem MINHA. Vai logo!- A empregada corre.

Alexandra se dirige ao banheiro feminino, com a maleta e o vinho, entra, e o tranca novamente. Liana repara tudo de longe.

Liana: Parece que tem uma festinha particular ali...Ou será que minha querida cunhadinha está com problemas intestinais?- Ela vai até Gordênia- Pega a chave reserva do banheiro feminino pra mim, e rápido.

Gordênia: Mas a dona Alexandra mandou eu...

Liana a empurra: FAZ LOGO O QUE EU MANDEI!- Ela olha fixamente para a porta do banheiro- Quero ver o que tem ali...

Cena 05- Delegacia/ Int./ Sala principal/ Noite.

Peninha chega, sendo segurado por dois policiais. O local está vazio, apenas o delegado marca presença, este por sua vez, assistia televisão.

Peninha, irritado: Me soltem, seus brutamontes, eu já disse que tudo não passou de um engano! Achei que estava no caminhão com meu sobrinho, mas na verdade era o tal bandido Marcolino Bandeirola, disfarçado!- Ele mente.

Policial: Essa história não cola, vovô.

Peninha fica roxo de fúria: VOVÔ? Olha, eu tenho um conhecido que tem poder sobre a polícia daqui de Recife, eu vou mandar ele demitir todos vocês! TODOS- Ele suspira- Tirem essas algemas de mim, eu não vou sair correndo...Sou um preso honesto!

O delegado se vira: Estamos providenciando uma cela pra você. Aguarde calado, ou lhe colocamos na solitária.

Peninha, desespera: CELA? Delegado, pelo amor de Deus, eu tenho celofobia. Medo de cela. Se vocês me colocarem em uma, eu posso até morrer! MORRER- Ele avista um telefone- EU TENHO DIREITO A UMA LIGAÇÃO! Já vi vários filmes em que as pessoas falam isso, então eu também tenho esse direito...

O delegado faz sinal para que levem-no até o telefone. Eles tiram as algemas de Peninha, que começa a discar um número.

Na pensão de Suspiro...

Suspiro, ao telefone: Pois é, comadre, eu tô esperando eles dois chegarem até agora. Já passou das oito da noite! Como os dois tão vindo de caminhão, devem ter pego transito por causa da chuva...O sarapatel que eu fiz pra janta até esfriou de tanto esperar.

Marcelina: Calma, logo eles chegam. Deve ser a maldita da chuva mesmo. Tava vendo no jornal que uma mulher foi soterrada por causa de um deslizamento, aqui em Recife mesmo! Meu coração até aperta só de pensar que Susana e Jucy resolveram ir pra culto justo hoje!

Suspiro: Você tem sorte, comadre, pelo menos elas estão se pegando a alguma religião- Ela sente uma vibração- Pera aí, acho que tem uma outra pessoa na linha. Esse telefone novo que eu comprei tá só apitando, vou desligar, depois a gente se fala- Ela aperta outro botão- Alô?

Peninha: Sou eu, Suspiro...Tenho que te falar uma coisa. Promete que não vai gritar.

Suspiro, nervosa: O que aconteceu? Fala! Tô esperando vocês aqui!

Peninha pigarreia: É que...Aconteceu um engano e...Eu tô preso.

Suspiro: O QUÊ?

De volta à casa de Marcelina...

Marcelina olha pela janela: Vou ter que pedir misericórdia para São Pedro. A chuva aumentou...Dá até medo- Ela olha para o teto improvisado- Cadê essas duas...

Guga chega, furioso: Mãe, elas não estão no culto!- Ele joga uma nota falsa de cinquenta reais no chão- E AINDA ACHARAM QUE PODIAM ME ENGANAR!

Marcelina: Do que você tá falando, Guga? Que raiva é essa?

Guga: A Susana e a Jucy estão na festa do tal Tião. Elas disseram que iam me pagar cinquenta reais se eu acobertasse as duas...Mas descobri que a nota era falsa quando fui ver agora...ELAS MENTIRAM PRA SENHORA!

Marcelina fica estática: Eu não acredito...AH, ELAS NÃO PODIAM TER FEITO ISSO! NÃO PODIAM!

Cena 06- Mansão de Tião/ Ext./ Jardim/ Noite.

Susana anda por uma parte coberta, onde a chuva não chega: Quinze minutos de conversa com você e já sei mais sobre sua pessoa, do que sobre alguns parentes...Os cariocas são todos espontâneos assim?

Marcus a acompanha: Isso eu não vou saber te responder, mas tenho certeza que nenhuma recifense é tão charmosa e inteligente como você.

Susana ri: É melhor a gente parar de se tratar pelos nomes das cidades. Prazer, meu nome é Susana- Ela estende a mão.

Marcus: Prazer. O meu é Marcus- Ele beija sua mão- Eu já suspeitava que seu nome era lindo, como você. Já o meu...Melhor deixar pra lá.

Susana: Você transformou minha noite. Obrigado- Ela lhe dá um beijo no rosto- Agora tenho que ir...A chuva só aumenta, e eu preciso de ônibus pra voltar pra casa. 

Marcus a impede: Não, eu te proíbo! Isso não pode acabar assim- Ele a leva até uma parte sem cobertura. E os dois acabam se molhando- Você disse que estava desanimada, sem vontade de vir e tudo mais, só que eu vou fazer essa noite valer a pena, de verdade.

Susana: Tudo bem! Me surpreenda, senhor Marcus.

Marcus instrui: Fecha os olhos. Não espia- Ele vai até o jardim.

Susana, de olhos fechados: Eu tenho quase certeza do que você vai fazer... Mas é melhor nós irmos com calma, acabamos de nos conhecer e...

Marcus: Você fala demais, recifense- Ele colhe algumas flores- Se estava achando que eu ia te beijar, se enganou...Eu não sou tão óbvio assim.

Um carro da polícia estaciona em frente ao portão da mansão. Com direito a sirene ligada e tudo mais. Marcus fica alerta na hora. Ele vê alguns policiais saindo e se desespera: Se não agisse, iria ser descoberto.

Policial: Ele só pode ter se infiltrado aqui, vamos cercar a mansão, e avisar ao dono da festa- Eles colocam suas capas de chuva e ligam a lanterna.

Marcus larga as flores imediatamente: Não pode ser...- Ele bate na própria cabeça- Eu já devia estar longe daqui, pra quê fui inventar de puxar conversa?- Cochicha para si próprio- E ainda mais com uma moça...

Susana, ainda de olhos fechados: O que você tá cochichando aí? Ou melhor, o que você tá aprontando?

Marcus sai correndo imediatamente, em direção ao salão: Me desculpa, Susana...- Ele entra- Preciso sair pelos fundos, mas não tô vendo saída aqui- Ele vê um policial entrar- DROGA!- E se infiltra no meio da multidão que dança.

Susana não resiste e abre os olhos: Essa surpresa tá demorada demais, não acha?- Ela não vê ninguém no jardim- Marcus? Eu espero que você esteja mangando de minha pessoa...Marcus? Aparece- Um raio ilumina o céu- Ai... Como eu sou idiota. Só eu mesma pra cair na lábia de qualquer um...O infeliz me deixou aqui na chuva, igual uma otária! Depois reclamam quando eu falo mal dos homens- Ela vai em direção a festa, furiosa- Maldito.

Cena 07- Mansão de Tião/ Int./ Banheiro feminino/ Noite.

Felipe vê Alexandra: Finalmente chegou!- Ele pega a maleta- A grana tá toda aqui? Maravilha. E ainda trouxe o vinho! Por isso que eu te adoro...

Alexandra: Foi difícil passar por esse gueto ambulante, mas aqui estou. Antes de você abrir a maleta, vamos brindar- Ela abre o vinho e enche duas taças- Vamos brindar a...Sua morte!

Felipe: O quê?

Alexandra arremessa a taça na direção de sua cabeça com toda a força que tem: EU DISSE ‘ VAMOS BRINDAR A SUA MORTE’!- Ela pega a garrafa de vinho e taca na cabeça do homem, que cai imediatamente, por conta da intensidade do arremesso- Me manda um fax lá do inferno, seu desgraçado.

Felipe, jorrando sangue: SOCORRO...- Ele grita com dificuldade.

Alexandra pega o saca-rolhas: Bem que dizem que gente ruim demora pra morrer- Ela enfia o objeto em sua testa e a rasga. O homem urra de dor, mas depois de ser atingido outras vezes, não resiste e acaba morrendo.

O banheiro virara uma poça de sangue.

Alexandra, ofegante: Não era pra ser assim...Eu tinha contratado um homem pra te matar, mas você quis ser mais esperto- Ela começa a dar uma gargalhada sinistra- Você tem cova reservada, né, Lipinho? Espero que sua conversa com o diabo seja mais agradável do que seus últimos momentos- Ela analisa o local- Vou ter que dar um jeito de me livrar do corpo, e limpar tudo isso...Não sabia que esse saca-rolhas seria tão útil. Vou usa-lo sempre. Armas são muito barulhentas- Ela limpa os objetos e sai, trancando o banheiro. O corpo fica lá, coberto por sangue- Vou precisar da ajuda do Gaspar...Cadê ele?

Cena 08- Barraco da família Porto e Pompa/ Int./ Sala/ Noite.

Marcelina aparece, arrumada: Você fique em casa. Vou buscar suas irmãs. E dar um belo esporro nelas...

Guga: Mãe, sei que tem raiva desse tal Tião, mas...Não acha que tá exagerando?

Marcelina, tremula: Exagerando? Não, meu filho, de jeito nenhum. Elas precisam conhecer o que é limite. Aquele político, se é que se pode chamar assim, vive fingindo que ama todos, entra na casa das pessoas como se fosse da família, mas não passa de um MAFIOSO! E não vou permitir que elas se envolvam no núcleo dele. Preciso honrar meu posto de mãe!

Guga olha pela janela: Tá chovendo muito forte, mãe. Não vai! As vezes vocês podem se desencontrar, não vale a pena!

Um estrondo acontece na cozinha.

Marcelina, assustada: O que foi isso?!- Ela segue o barulho e se surpreende- Guga, pelo amor de Deus! O teto da cozinha cedeu!

Guga, tentando ficar calmo: Nossa casa não vai resistir, mãe...- Ele engole em seco- Vamos pegar o que é de mais import...

De repente, outro estrondo, depois outro. A casa era fraca. A chuva se intensificava cada vez mais. Marcelina tenta ir em direção ao quarto mas Guga a puxa.

Guga: NÃO DÁ MAIS TEMPO DE PEGAR NADA, VAMOS EMBORA- Ele abre a porta.

No momento, uma enxurrada arrasta o pequeno barraco, com tudo que há dentro dele. Os objetos caem ou são arrastados pela água, que domina completamente o local. O resto do teto termina de cair, para desespero dos dois, que saem correndo. A frágil estrutura se desfizera facilmente, fazendo com que tudo fosse levado pelo morro. Os outros barracos estavam na mesma situação.

Ouviam se gritos de desespero em meio ao temporal, camadas de terra desmoronando junto aos destroços. Moradores corriam atônitos, tentando salvar algo, mas principalmente as próprias vidas.

Marcelina, encharcada pela chuva: Minha casa...Nossa casa, Guga...- Ela fica apavorada.

Guga, sem forças: Nós temos que sair daqui antes que...- Ele pisa em falso e cai, rolando morro abaixo.

Marcelina: GUGA! GUGA PELO AMOR DE DEUS!- Ela tenta ir atrás dele quando é atingida por uma tábua e cai desacordada.

Cena final- Mansão de Tião/ Salão de Festas/ Noite.

Susana vê Jucy: Já se passaram mais que dez minutos, vamos embora!

Jucy: Eu sei, fui te chamar, mas você parecia ocupada com um cara...Quem era? Sujeito bonito, irmã.

Susana, irritada: Esse cara me fez de idiota, Jucy. Eu me arrependo amargamente de ter vindo aqui...E pensar que por um momento...Ah, vamos logo embora- Ela puxa a irmã- Tá um temporal dos grandes lá fora.

Não muito longe dali, Marcus esbarra em Tião.

Marcus: Opa, desculpa mesmo...Hoje eu tô meio bagunçado...

Tião come um salgadinho: Quê isso, rapaz, comigo não tem frescurite não...Tá aproveitando a festa?

Marcus o cumprimenta: Claro, eu tô gostando muito...

Tião repara: Goxtando? Você não é daqui de Recife, né? Reconheço sotaques cariocas de longe...Flamenguista ou Vascaíno?

Do andar de cima, Gaspar, o atirador que Alexandra contratara para matar Felipe, identifica um homem igual ao da descrição. Blusa verde, com o Cristo Redentor estampado. Achando que o dito cujo é Felipe, ele mira, sem saber que se tratava de Marcus.

Gaspar: Só pode ser esse...- Ele posiciona bem a arma.

Um homem se aproxima de Tião: Tem um policial querendo falar com o senhor, disse que tem um bandido infiltrado na festa...

Marcus gela: Bem, eu...Tenho que ir...- Ele vai saindo quando é atingido no braço com o tiro. O forte estrondo abala a todos na festa, que se abaixam instintivamente. A polícia corre até o local.

Marcus cai no chão.

Tião, horrorizado: MEU DEUS!

Gaspar sorri: Trabalho feito...

No corredor dos banheiros, Liana abre a porta do toalete feminino com a chave reserva lhe dada por Gordênia.

Liana entra: Vamos ver o que a minha querida cunhada estava aprontando por aqui...- Ela tem a terrível visão do corpo de Felipe estirado no chão, e sufoca um grito de terror- Eu não tô acreditando nisso...Jesus amado, isso é vida real ou cena de filme de Hitchcock?!

A maçaneta do banheiro e alguém abre a porta.

Liana se vira: VOCÊ?


TERMINA O CAPÍTULO 01.
← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial

10 comentários:

  1. Muito bom. Criou vários ganchos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Ricardo, tentei criar vários para prender o público. Fico feliz que gostou e espero que continue acompanhando #Elos.

      Excluir
  2. Parabéns pela estreia, Victor. Já era de se esperar uma história fantástica e o primeiro capítulo está impecável. Aliás, amei o gancho. E só pra constar: Marcus é flamenguista, como todo bom carioca. Hahahaha
    Parabéns!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelos elogios, Gabriel, me empenhei muito. Fico muito feliz que vai me acompanhar nesse novo trabalho, dessa vez como leitor. Será que ele é flamenguista? hahaha Até o próximo capítulo.

      Excluir
  3. Respostas
    1. Obrigado Juan, que bom que gostou, espero que continue acompanhando Elos. Até o segundo capítulo!!

      Excluir
  4. Essa penúltima cena... Imagino a tensão da Marcelina.
    Mas achei ótima essa estréia. Recheada de bons ganchos, e fortes, como a novela parece ser.
    Enfim, disse e repito que gosto do Marcus. Tem um ótimo personagem pra desenvolver, os conflitos dele, também. Quanto aos demais... Prefiro esperar os outros capítulos. Mas reforço que esse foi ótimo! Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A situação de alguns no primeiro capítulo já é arrebatadora, como no caso de Marcelina. Fico muito feliz que gostou, Elos é sim muito forte. E Marcus ainda vai surpreender o público, ele é um ótimo personagem de se escrever, inclusive. Quanto aos outros, creio que vai gostar deles com o decorrer dos capítulos. Até o segundo capítulo!!

      Excluir
  5. Gostei do capítulo. Da festa,dos encontros. A cena do banheiro foi horripilante (no bom sentido). Até os próximos capítulos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Margot, apresentações costumam ser difíceis de se fazer, mas acho que essa ficou bem clara. Horripilante mesmo '-' Até os próximos, vamos ver se você vai achar mais cenas como essa do banheiro.

      Excluir