sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Elos- Capítulo 15.

Cena 01- Rodoviária de Recife/ Int./ Noite.

Peninha encara Munique, ainda chocado com a imagem que vê: Marcus... É igual ele...

Suspiro toma frente: Calma, compadre, é apenas uma coincidência- Ela se vira para Munique- Desculpe, querido...

Munique, afobado: Você disse Marcus?- Um sorriso instantâneo se abre- Não, é porquê esse é o nome do meu pai...

Peninha, abismado: Seu pai?

Munique conta: Na verdade eu venho de Feio Horizonte, inclusive estava no mesmo ônibus dela- E aponta para Ingrid- Fui criado por pais adotivos, um casal muito simpático, completei 18 anos ontem, e como promessa, eles me falaram o nome dos meus pais biológicos, então vim a Recife procurá-los. Chamam-se Marcus. Com U mesmo. Um empresário. E Susana.

Peninha e Suspiro se encaram, perplexos.

Peninha se vira para a comadre e cochicha: Não pode ser, Suspirinho, ou isso é um delírio meu, ou alguém pagou esse garoto pra dizer isso- Ele olha de canto para Munique, acompanhado de Margot.

Suspiro: Ele é igual o Marcus quando era jovem, compadre, como pode tanta coincidência? Lembro da época em que o filho da Susana foi raptado, o mistério nunca foi resolvido até hoje, Marcelina disse que contaram pra ela uma história remendada...

Ingrid: Gente, do que vocês estão falando?

Peninha lhe dá um leve empurrão: Conversa de adulto, sobrinha.

Ingrid retorna: Mas eu sou adulta, tio. O senhor parou em que época do tempo?

Peninha fica de costas pra ela: É conversa pra gente com mais de 50- Ele se volta para Suspiro- Comadre, então você acha que o clone do Marcolino é o filho dele? O bebê raptado? Deus deve estar brincando com a gente, pra colocar esse rapaz cara a cara comigo.

Suspiro: Será que ele tem alguma prova que é filho do infeliz e da Susana?

Peninha faz um sinal: Vamos descobrir- Ele se vira- Ô barba rala, o que você tem pra provar que é filho do Marcolin...Digo, do Marcus e da Susana?

Munique torce a boca: Bem, eu acredito no que meus pais adotivos me contaram, embora eu não saiba minha história de origem completa. Prova mesmo, só se for meu sangue. Isso se resolve com um DNA. Sei que tenho poucas chances de que o meu pai me aceite, mas cultivo persistência. Fora que quero encontrar a família dele e da minha mãe... Me disseram que ela está presa.

Peninha se vira para Suspiro: Ele disse que a única prova que t...

Suspiro o corta: Eu escutei, Peninha. E pelo visto ele não está mentindo- Ela se aproxima de Munique- É até inimaginável o que você vai ouvir, rapaz, mas...Nós conhecemos muito bem os seus pais.

Munique sorri: O QUÊ?- Ele encara Margot.

ELOS- CAPÍTULO 15.

Roteiro: Victor Morais.

Cena 02- Estacionamento da Rodoviária/ Ext./ Noite.

Querida irmã, não queria te deixar numa hora dessas, sei que está frágil com a morte do Bruno, mas eu consegui uma oportunidade de emprego repentina, e para isso vou ter que te abandonar. Todavia, confio no Munique, vocês se gostam e vão se cuidar bem, portanto eu fico mais tranquilo. Espero que consigam um lugar para dormir. Não me ache cruel, Margot, eu te amo irmã, só que o sacrifício é necessário. Um dia a gente se reencontra. Fala pra mamãe que eu vou ficar bem.
Não preciso assinar a carta, você conhece minha caligrafia”.

Margot, pasma: Eu não acredito nisso... O Luckas só pode estar maluco! Como conseguiu emprego de repente? Com quem ele se meteu, meu Deus?! Munique, precisamos ir atrás de meu irmão!

Munique a acalma: Não tem como a gente descobrir o que aconteceu com ele, mas de uma coisa sei: Luckas é vacinado, maior de idade, e bem esperto. Em uma enrascada ele não se meteria dessa maneira... O que resta pra gente é ir com o tal Peninha e a Suspiro. Eles nos ofereceram a pensão, disseram que conhecem meu pai e minha mãe!

Margot, desesperada: Eu não posso ir! Primeiro, matam o meu irmão mais velho, depois, o outro some e deixa uma mera carta de explicação?! Eu tô sem ninguém, quero voltar pra casa e já me arrependi de ter feito essa viagem que até agora só me trouxe desgraça!- Ela começa a chorar.

Munique: Como assim você não tem ninguém? E eu? Não significo nada pra você?!

Margot: É claro que significa, eu falei no ímpeto. Meus irmãos eram meu maior apoio, minha base pra vida...Perder os dois em menos de um dia é demais pra mim, Nique...Eu tô com medo. Muito medo.

Munique pega em sua mão: Me sinto desconfortável com isso tudo também, apavorado pra falar a verdade, mas agora não tem múltipla escolha, Margot. A única opção viável é ir pra pensão daquela mulher. Quando eu conhecer minha família, tudo vai melhorar...Confia em mim.

Margot o abraça, ainda com a carta em mãos. Ela não contém as lágrimas.

Peninha, do carro, dá uma longa buzinada: E então, barba rala? Vai vir ou prefere dormir na rodoviária com os pombos?

Munique olha para Margot, que assente sem que ele precise falar mais uma palavra sequer. Ambos se dirigem ao carro e entram. Peninha acelera.

Margot sussurra para si mesma: Te cuida, Luckas...Te cuida- E suspira.

Cena 03- Haras dos Campestrini Ferrari/ Int./ Sala de sinuca/ Noite.

Miguel joga sinuca com o convidado da noite, o conde Gian.

Iná se aproxima do patrão: O jantar está pronto, senhor! Fiz as bistecas ao molho cítrico como pediu...Posso mandar que sirvam?

Miguel se prepara para uma tacada: Espere que Bárbara chegue para servir. Ela não deve demorar. Foi à rodoviária- Iná concorda e sai.

Gian: O que é essa tal de ‘ rodoviária’?

Miguel ri: Um lugar que você provavelmente não irá nunca- Ele dá a tacada, no entanto não encaçapa nenhuma bola- Mas, mudando de pato para ganso, como andam as coisas com Fernie? Sabe que ela é de poucas palavras, então nem faço questão de perguntar sobre o relacionamento de vocês... Preparado para portar uma aliança?

Gian demora para responder: Eu não queria lhe incomodar, senhor Miguel, nem parecer maldoso, mas...Eu estou preparado para o casamento, a Fernanda não. Ouvi uma conversa dela com uma amiga, sem querer, dizendo que ela pretendia abortar nosso noivado pois não se sente a vontade na minha companhia. Isso me magoou profundamente, porém não falei nada com ela...Amo tanto sua filha. Pena que o sentimento não é reciproco como imaginei- Ele escorre uma suposta lágrima.

Miguel, impressionado: Isso não pode ser verdade, Gian, a minha filha te ama muito, talvez esteja apenas confusa com relação a seus sentimentos. Se Bárbara fosse uma boa mãe, orientaria ela, mas a lunática prefere se prender num mundo ficcional do que dar atenção pra própria filha!- Ele larga o taco- Não se preocupe, Conde, vou ter uma franca conversa com Fernie.

Gian sorri: Fico grato. Eu amo muito ela, e se a perdesse, provavelmente cometeria uma loucura... Fernanda é minha alma gêmea- Diz, com um tom açucarado na voz.

Miguel ouve a porta se abrir: Você não comete loucuras, Conde, isso é para quem tem fraqueza emocional. Agora chega de sinuca, o jantar nos espera. Bárbara já chegou- Ele sai.

Gian: Vou lavar as mãos primeiro- Ele segue para uma direção oposta- Espero que a conversa desse velho com a filha seja decisiva o suficiente... Preciso desse casamento. Nem que seja a força.

Miguel chega na sala de entrada: Finalmente, Bárbara, o ônibus da moça atrasou?

Bárbara tira a jaqueta: Aconteceu um problema que não vale a pena ser descrito aqui. Essa é Thayanne, neta de Fábio- Eles se cumprimentam.

Thayanne: Obrigado pela hospedagem, se eu puder retribuir...

Miguel sorri: Bobagem- Ele analisa Luckas- E o rapaz? Que eu saiba, Fábio só iria buscar a neta...Havia um anexo que eu desconhecia?

Bárbara toma a frente: Esse é o nosso novo empregado, que vai ajudar o Fábio com o serviço, o nome dele é Luckas. Eu contratei ele.

Miguel: Como assim? Quem paga o salário dos empregados sou eu! Então acho que mereço uma explicação sobre essa contratação repentina de um rapaz que a gente nem sabe se tem qualificações.

Bárbara esfrega as mãos: Fábio, pode levar os dois para seus quartos. Tem um quartinho abandonado, pede pra Iná dar uma geral nele e abrigar o Luckas. Thayanne, o seu está pronto. Também indique pra eles onde é o banheiro e a cozinha dos serviçais. Depois passo para ver os dois.

Fábio consente: Venham comigo...- O trio sai.

Miguel se irrita: A minha autoridade é nula, por acaso? Quem é esse menino? Está abrigando um desconhecido carrancudo no haras como se fosse um conhecido nosso há anos? Vai convidá-lo para comer na mesa daqui a alguns dias?

Bárbara se senta: O ônibus em que ele e Thayanne viajavam foi assaltado, levaram tudo dos passageiros, inclusive o veículo. O rapaz veio tentar a vida em Recife, mas agora não tem nada, nem ninguém, e tive a piedade de acolher ele aqui, já que Fábio precisava de um ajudante. O resumo é suficiente para vossa excelência?

Miguel: Estranho um rapaz vir tentar a vida num lugar onde não tem parentes, né? Essa história tem furos, Bárbara, mas não vou interferir dessa vez. Já que não tenho autoridade, vou deixar você guiar a situação. Um rapaz desconhecido, sem lenço nem documento, na minha casa... A que ponto chegamos?

Bárbara: Deixa de drama, Miguel. Eu tive compaixão porquê sou humana e me imaginei na situação daquele pobre coitado... Tá achando que um rapaz assustado desse jeito pode ARRUINAR nosso haras? Haja hipérbole! Vamos jantar e refletir sobre nossas palavras que é melhor. Quanto ao Luckas, eu vou guiar a situação sim. E tenho orgulho de ajudar os outros! Essa sou eu.

Cena 04- Suspirela/ Int./ Noite.

Suspiro é a primeira da “ caravana” a entrar: Não reparem na bagunça! Dani sabia que iriamos ter visita, mas não fez questão de dar uma organizada.

Dani surge: Ouvi meu lindo nome...- Ela repara nos novos hóspedes- Temos mais pessoas do que eu imaginava! Não sei se tem comida o suficiente.

Suspiro: Coloca água pra render mais caldo que dá pro bairro inteiro! Essa é Ingrid, sobrinha do Peninha. Aquele é Munique e sua amiga Margot, não vou descrever eles porquê nem eu mesmo os conheço direito. Mas são bem-vindos na Suspirela!

Peninha olha fixamente para Munique: Sua imagem me traz boas e más lembranças...Venham comigo, serei o SuspiGuia da noite. Os quartos ficam no andar de cima e...

Margot, com rouquidão na voz: Será que eu posso fazer um telefonema? Preciso falar com minha mãe...

Suspiro intervém: Claro, eu também preciso fazer um, pra Marcelina. Sua vó, Munique, ou pelo menos, eu acho que é...- O garoto fica radiante.

Margot dá lentos passos até o telefone: Com essa tormenta na minha mente, acabei esquecendo o número lá de cas...- Ela cai no chão sem terminar a frase.

Munique se desespera: MARGOT!- Ele a acolhe- Margot! Ela tá muito fraca e desestabilizada!

Peninha, boquiaberto: Meu Deus, comadre, a pensão é tão feia que fez a garota desmaiar! Pega água, Dani! Acudam- Ele abana Margot.

Dani chega com um copo cheio d’água com açúcar. Margot não tarda a despertar, nos braços de Munique. Ela recupera a consciência logo, mas prefere acreditar que tudo não passa de um pesadelo.

Suspiro junta as mãos: Graças a Deus. Coitada, deve estar com muita fome. Já pode servir o jantar, Dani, logo os nossos vizinhos devem estar chegando. Convidei eles para se juntarem a nós- Ela se aproxima da sobrinha- Presta atenção no Rennê e tenta puxar assunto com ele...

Munique acaricia o rosto da vizinha: Você tá bem?

Ao mesmo passo, Suspiro faz um telefonema.

Não muito distante, Marcelina atende a ligação: Alô? Oi, comadre! Pera aí, já falo com você- Ela abaixa o gancho e se dirige à Ricardo- Tá indo aonde? A janta logo fica pronta!

Ricardo, num tom sombrio: Tô indo fazer um bico noturno- Ele pega o celular de Jucy achando que é o seu- Jucy está banhando Caio, avisa pra ela que eu não demoro. É um serviço simples...

Marcelina: Tudo bem, Deus que te acompanhe- Ela volta ao telefone- Pronto, comadre, desculpa, pode continuar...

Suspiro, receosa: Sei que já está meio tarde, mas preciso que venha aqui. É algo urgente e até assustador, comadre. Não pode ser falado por telefone.

Marcelina: Assim você me assusta...

Suspiro: Vem aqui, garanto que não vai se arrepender.

Um pouco depois...

Marcelina toca a campainha. Suspiro atende-a na mesma hora.

Marcelina, ansiosa: Pronto, comadre, eis me aqui! Que surpresa é essa? Ganhou na loteria?

Suspiro pega em sua mão: É algo muito forte... Vem comigo- Ela guia a mulher até o sofá, onde Munique encontra-se de costas- Munique, ela chegou.

Munique se vira. Marcelina fica sem ar na mesma hora: O que significa isso?

Cena 05- Ruas de Recife/ Ext./ Noite.

Ricardo caminha, tenso. A rua está vazia. Ele se lembra do que Lino lhe dissera mais cedo.

FLASHBACK.
Lino: Pera aí, tu topa tudo mesmo? É porquê acabei de me lembrar de um serviço, mas...É com uma galera pesada. É arriscado- Ele abaixa o tom de voz- Mas você vai ganhar muito.
Ricardo: Arriscado? Já disse que estou disposto a fazer tudo. Me conta mais sobre esse bico, Lino, o meu desespero é grande!
Lino comenta: Ele envolve um pessoal perigoso. Traficantes.
Letícia, uma das funcionárias do quiosque, chega: Seu Lino, eu posso fechar a conta da mesa quatro? O casal quer ir embora...
Lino: Pode fechar- Ele se dirige a Ricardo- Eu vou te contar mais sobre o negócio. Um dos meus primos disse que precisava de um homem que levasse uma encomenda, se é que me entende, pra um amigo dele. Meu primo tá impedido de circular pela cidade. Se você topar, vai precisar encontrar esse meu primo na casa dele e pegar a encomenda com ele. Depois deve atravessar a cidade até o limite e levar a encomenda pro comparsa...Só sei disso, por enquanto, mas posso contatá-lo.
Ricardo respira fundo: Eu vou ganhar muito?
Lino confirma: É um serviço arriscado, se a polícia te pegar, já era. Mas vai ganhar uma boa grana, eu garanto. Vou te passar o contato do meu primo.
Pouco depois, Ricardo liga para Ângelo, o primo de Lino. Eles acertam os detalhes do plano. O homem teria de pegar a encomenda as 20h e leva-la para o local combinado as 21h. Lá, ele receberia o dinheiro.
VOLTA A CENA.

Ricardo atravessa a rua e bate na porta de uma velha casa. Era o esconderijo de Ângelo. Em menos de cinco minutos, ele pega a encomenda e vai, de ônibus, para o local onde deveria entrega-la.

Na casa de Marcelina...

Jucy seca o cabelo de Caio: Ouvi dizer que tá tendo surto de piolho, então amanhã mesmo a gente vai cortar o cabelo...- Ela repara no silêncio do ambiente- Cadê a mamãe? E seu pai?

O celular de Ricardo vibra.

Jucy pega o aparelho: Ih, seu pai saiu e levou meu celular por engano. É nisso que dá ter o mesmo modelo...- Ela digita a senha- Chegou uma mensagem pro Ricardo.

Ângelo says:
Sujô, os gambé descobriu o esconderijo. NÃO VAI P/ LA! Meu comparsa vai tá te esperando 2 ruas atrás! Na rua Cascata! Num galpão vazio! Cuidado p/ policia não te acha!! E deixa cel. ligado, p/ manter contato.

Jucy não entende nada: Com que o Ricardo se meteu?- Ela franze a testa.

Cena 06- Suspirela/ Int./ Sala/ Noite.

Marcelina respira ofegantemente: Quem é esse garoto, comadre?

Suspiro: Encontramos ele na rodoviária. Disse que está atrás dos pais biológicos, que se chamam...Marcus e Susana.

Marcelina, com um nó na garganta: O quê?- Ela não sabe o que dizer- É ele? O filho raptado? NÃO É POSSÍVEL!- Ela treme.

A campainha toca novamente.

Munique se levanta, deixando Margot no sofá: Meu nome é Munique.

Marcelina: É igual...É igual o canalha quando era jovem, comadre. Não é possível, meus olhos tão me enganando...

Suspiro: Eu também pensei o mesmo, comadre. Vou deixar vocês dois conversando no meu quarto, chamei os novos vizinhos para um jantar e eles devem estar na porta- Ela guia os dois- Venham, por favor.

Marcelina fica assombrada com a aparência de Munique. Ambos sobem até o quarto de Suspiro, que fecha a porta, deixando-os a sós.

Marcelina, séria: Desculpa, é que...Eu ainda não assimilei. Não sei o que dizer em um momento que jamais imaginei que fosse acontecer, ainda mais dessa forma- Ela se cala.

Munique: Não precisa se desculpar, eu me sinto assim também. Até algumas horas atrás eu estava na casa dos meus pais adotivos, e agora vim para Recife, em busca dos biológicos. É muita aventura. E ainda por cima o ônibus que me levava foi assaltado e...Esquece, não vou te encher com isso.

Marcelina, preocupada: Meu Deus, que coisa terrível- Ela se aproxima- Eu sinto muito...- Os dois ficam quietos por alguns minutos- Você se parece tanto com seu pai, aliás, com o Marcus. Perdão, ainda não sabemos se realmente...

Munique: Tudo bem, é normal que tenham dúvidas se sou mesmo filho de Marcus e Susana. Nem eu sei se carrego esse título mesmo, mas foi o que meus pais me contaram, e creio que eles não mentiriam...Disseram que meu pai é um grande empresário e minha mãe está presa. Não entendi essa parte. Eles se desentenderam? Você pode me explicar, pra eu chegar até ele e tentar uma reconciliação talvez...

Marcelina: Não dá pra ter reconciliação...Nunca. Me desculpe falar essas palavras, mas...Seu pai é um assassino, e ele, junto com outras pessoas, foi responsável pela prisão injusta da Susana.

Munique fica chocado.

Cena 07- Monte Castelo Hotel/ Int./ Sala 012/ Noite.

Marcus e a família jantam.

Liana bebe vinho: Até que está sendo legal essa nossa nova casa submarina. Só é meio assustador imaginar que estamos debaixo d’água, mas faz parte da vida...

Marcus: Logo todos aqui vão estar acostumados. Lembrando que amanhã vão vir centenas, milhares de jovens se candidatarem aos empregos do Monte Castelo Hotel, e para não termos confusão, peço que não saiam da sala 012. As entrevistas vão durar o dia todo.

Alexandra: Eu não vou estar aqui mesmo- Ela ri- Vou me ocupar com os preparativos para a inauguração desse hotel...Inclusive desmentirei as palavras que disse naquela entrevista- E se levanta- Bom resto de janta à todos.

Alexandra entra no novo quarto onde dormia com Marcus e tranca a porta. Ela pega seu celular e faz uma ligação: Alô? Sou eu mesma. Espero que tudo esteja certo pra inauguração do Hotel. Marcus tem que ficar boquiaberto. E se ajoelhar aos meus pés...Nada pode dar errado.

No haras dos Campestrini Ferrari...

Thayanne: Tudo tem que dar errado, vô. Tudo! É pra isso que voltei- Ela se senta na cama e junta um punhado de recortes- O tal Marcus e sua trupe vão pagar pelo que fizeram.

Fábio, desesperado: Minha neta, achei que tivesse voltado para Recife afim de concluir uma pesquisa...Estou impressionado com o que acabou de me contar! Plano de vingança contra o Marcus? Contra os construtores do Monte Castelo Hotel?

Thayanne: Aqueles infelizes destruíram uma vasta fauna marinha, vô, e como toda bióloga e ecologista, eu me senti muito ferida! Várias instituições tentaram impedir a construção desse Monte Castelo Hotel. Tentaram alertar que muitos animais marinhos iriam morrer. A natureza está sendo destruída e não podemos aplaudir iss...

Fábio a interrompe: Thayanne, você não vai conseguir fazer mais nada a respeito! O Hotel está construído, infelizmente, a destruição é definitiva. Entendo os seus motivos, mas sua vingança não te levará a lugar nenhum, fora que Marcus é muito poderoso! E é amigo do senhor Miguel!

Thayanne dá de ombros: Isso pode me ajudar. Não adianta, vô, eu vim para Recife afim de destruir esse Monte Castelo Hotel, e se depender de mim, ele não vai durar um mês. Com a ajuda de uns amigos, vamos interditá-lo e demolir a construção, nem que leve anos. O plano está traçado.

Fábio: Mas...- Luckas entra no quarto no mesmo instante e a conversa é interrompida.

Luckas: Só vim desejar boa noite. E obrigado por tudo, sabe se lá onde eu estaria dormindo se não fossem vocês...- Ele dá um sorriso forçado.

Fábio se vira: Boa noite, garoto, amanhã começamos o trabalho pesado!

Thayanne sorri: Boa noite, Luckas.

Luckas sai. Ele admira o haras e não esconde a felicidade por estar lá.

Thayanne se deita: Assunto morto, vô. Nem adianta tentar me impedir. O Monte Castelo não vai durar muito, escreve o que tô te dizendo. Milhões de animais mortos...Dá ânsia só de pensar.

Fábio a cobre: Isso não vai acabar bem...



Cena 08- Ruas de Recife/ Ext./ Noite.

Ricardo se aproxima silenciosamente do local combinado. Porém, não há ninguém lá, nem a pessoa que ele esperava.

Ricardo pega o celular: Mas cadê o tal sujeito pra pegar a encomenda?- Ele digita a senha quando nota o ocorrido- Não acredito que peguei o celular da Jucy por engano! QUE DROGA!

O homem então nota uma luz azul e vermelha no ambiente. Na surdina, Ricardo olha para trás e percebe um carro da polícia se aproximando.

Ricardo: NÃO ACREDITO! NÃO PODE SER!

O pânico paira em seus olhos.


TERMINA O CAPÍTULO 15.
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5 comentários:

  1. Ricardo seguindo os caminhos bandidos de Marcus... Marcelina não tem sortes com genros, mesmo.
    Só achei ela fria com Munique. Reconheço o choque, o trauma do passado... Enfim, espero que os erros de terceiros não afetem a relação dos dois.
    Quem está afim de afetação é Thayanne, mas ao hotel Monte Castelo. Eu torço que ela consiga sim, e a Susana também.

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  2. Tudo começou a se entrelaçar. E o Munique, cada vez mais perto dos seus pais biológicos. Imagino como isso vai terminar. Ricardo, você está um pouco ferrado, talvez muito. Achei Marcelina meio rude com o Munique e já foi direta chamando o pai do menino de assassino, poderia pegar leve. Ótimo capítulo e ótimo gancho, Victor.

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  3. Gosto do rumo das coisas
    Apenas fico, assim como a Margot da trama, preocupada para onde o Luckas foi se enfiar. Munique ficando frente a frente com a realidade de sua existência. Ricardo resolveu mesmo ir para a bandidagem :O isso não pode acabar bem.

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  4. Marcelina já foi logo direta com o Munique. Agora ele já sabe o que o pai biológico foi capaz de fazer. E Thayanne também quer "vingança". Ainda tem a Alexandra que parece nao dar sossego pro marido. Tá ruim pro Marcus...
    E Ricardo se fechou. Vixi!

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