sábado, 19 de setembro de 2015

Elos- Capítulo 20.

Cena 01- Monte Castelo Hotel/ Int./ Escritório/ Dia.

Marcus engole em seco: Escuta aqui, garoto, você chega sem mais nem menos no meu escritório, interrompe uma atividade importante minha, e ainda fica falando besteira? Vou acionar a segurança que é melhor, como te deixaram entrar?

Munique: Então genética é besteira pra você? Eu sou seu filho, quer que eu fale de outra forma?! Filho seu e da Susana. Aquele que tinha sido raptado, pois bem.

Marcus, furioso: VOCÊ TEM COMO PROVAR ISSO?! Se baseou em quê? E que petulância é essa? COM QUEM VOCÊ ACHA QUE TÁ FALANDO?

Munique: COM O MEU PAI! Eu vim do interior de Minas atrás de você, passei por um monte de percalços, até por um assalto que me levou tudo! Então não tem como eu falar em outro tom!- Ele inicia um choro- Eu só queria que meu pai me ajudasse... Faz um DNA, eu garanto que o resultado vai dar o que eu tô te falando...

Marcus não tira o olho do garoto: Não é possível que... Isso tá muito estranho, muito rápido, eu ainda não entendi...

Alexandra entra na sala: Marcus, eu...- Ela percebe a presença de Munique.

Alexandra o encara. Munique não perde a firmeza.

ELOS- CAPÍTULO 20,

Roteiro: Victor Morais.


Cena 02- Monte Castelo Hotel/ Int./ Escritório/ Dia.

Marcus e Alexandra observam Munique por uma janela. O garoto estava sentado no corredor.

Alexandra ri: Ele não é seu filho, tá na cara. Um menino que chega do nada fazendo essa afirmação é de se desconfiar muito... Dispensa logo o garoto e vamos conversar sobre a inauguração. Tenho umas pautas aqui.

Marcus: Eu também achei estranho, Alexandra, mas ele se parece muito comigo, então não tem como ignorar! Já fiz umas perguntas pra ele...Veio de Minas, os pais adotivos contaram o meu nome. Ah, e ele se chama Munique.

Alexandra gela. Uma lembrança vem imediatamente em sua cabeça.

FLASHBACK.
Gordênia, assombrada: Não precisa tanta frieza. Eu não tenho parentes aqui mesmo, nem casa...Posso ir com Munique para Minas, né bebê?- Ela o acaricia.
Alexandra acelera: Ótimo, mas só pra te avisar, é um menino.
Gordênia ri: Não importa, eu amo esse nome. Vou deixar Munique mesmo.
VOLTA A CENA.

Marcus: Não sei o que fazer, realmente não esperava esse tipo de situação- Ele se escora na parede- O meu filho perdido. Se for realmente ele, vai ser a minha maior alegria! Até hoje não sei como aquele rapto aconteceu...

Alexandra não demonstra o nervosismo: Coloca a cabeça pra funcionar, Marcus, um filho seu não chegaria desse modo, escancarando tudo, jogando verdades. Alguém quer se aproveitar da sua fama por conta da inauguração do Hotel e inventou isso. Chama-se golpe, tenho a definição na ponta da língua. Manda a segurança retirar o tal Munique, se é que se chama mesmo assim...

Marcus suspira: Claro que não vou fazer isso, seria imprudente. Se ele é meu filho ou não, é impossível saber agora, mas quero manter contato com esse menino e fazer um teste de DNA. Vou pegar o endereço dele...

Alexandra: Quer dizer que se qualquer menino chegar aqui afirmando ser seu filho, você vai gastar dinheiro fazendo DNA? Marcus, saiba lidar com fatos. Uma história sem pé nem cabeça como essa foi claramente articulada. DNA só vai prolongar uma incerteza desnecessária!

Marcus abre a porta: Estou trabalhando com probabilidades, e a aparência desse garoto pode indicar algo... Não vou perder uma chance dessas, Alexandra! DNA não é nada, e eu pago uma quantia a mais pro resultado sair no mesmo dia, é assim que funciona o mundo, sei lidar muito bem com “ as coisas”- Ele chama Munique- Garoto, me passa o teu endereço. Ainda hoje posso te procurar, se eu tiver tempo... E espero que valha a pena.

Alexandra fica inquieta. Munique anota o endereço da Suspirela.

Marcus, sério: Pode ir despreocupado, já disse que vou tomar as providências- Munique assente- Só um último ponto: Como conseguiu entrar aqui?

Munique sorri: Eu tenho meus truques, pai. E posso te chamar assim porquê tenho certeza que você é meu pai. Mais alguma pergunta?

Marcus, ainda chocado com a aparência do que estava em sua frente: Tenho um verdadeiro questionário, mas não posso fazê-lo agora. Até mais tarde, Munique.

Munique sai andando: Eu não sou sua prioridade...Mas ainda vou ser, pai.

Cena 03- Monte Castelo Hotel/ Int./ Dia.

Munique vê Margot sentada em um banco junto com outras garotas e vai até ela: Estranho esse lugar debaixo d’água, né? Como tá indo o emprego?

Margot se levanta: Mais estranho ainda é ver ele vazio. Eu ainda não trabalhei, tô nessa fila porquê naquela sala- Ela aponta- Tem um homem checando se nossos padrões estão mesmo apropriados para a função de camareira? Mas estou mais ansiosa pra saber como foi a conversa com seu pai!

Munique conta: Ríspida. Eu vi nele uma imagem fria e cansada, manipulado pela mulher, claramente, mas não papeei com sentimentalismo, fui direto ao ponto. Ouvi ele e a esposa falando de DNA, mas o que mais me chamou atenção foi o interesse do meu pai em achar o filho. Pelo visto, esperava esse reencontro há anos, bem como eu.

Margot sorri: Cê vai despertar nele um sentimento de pai bem adormecido, Nique. Não está nem um pouco emocionado? Sonhou tanto com isso!

Munique: Esse homem destruiu a vida da minha mãe, Margot, por enquanto, eu não posso ter carinho ou coisa do tipo com ele, a menos que o próprio faça por merecer. Com a Susana é diferente. Dá pra ver no rosto dela o quanto sofreu na cadeia por culpa daquele homem com quem acabei de falar... Meus pais são mais complexos do que eu esperava, mas tô pronto pro desafio.

Um homem surge na porta: MARGARIDA FONTES!

Margot o abraça: Tenho que ir, depois a gente conversa mais, sabe que eu amo conversar contigo- Ela sai.

Munique anda rumo à saída do hotel, mais mexido por dentro do que aparenta. Ele guarda bem na memória a imagem fresca do pai.

Alexandra o observa, de longe, enquanto fala no telefone: É o próprio, Gaspar, disse que é filho do Marcus, mas ainda não temos certeza absoluta! Acaba com a raça desse garoto e não deixa rastro nenhum... Seja cauteloso para que ninguém te flagre, ele está saindo agora! Confio essa missão à você.

Gaspar masca chiclete: Pode deixar, patroa. O frango vai ser abatido- Ele desliga e vai até a saída do hotel, onde a futura vítima estava. A ponte que ligava a terra e o Monte Castelo estava vazia, Munique anda sem pressa até chegar no asfalto, sem notar que o bandido lhe monitorava.

Gaspar vai com o carro lentamente até ele, que se prepara para atravessar a rua. De repente, engata a outra marcha e acelera na direção do jovem, invadindo a calçada. Munique mal tem tempo de reagir quando vê o carro vindo em sua direção, ele tenta fugir mas é atingido e arremessado à uma curta distância.



Cena 04- FEIO HORIZONTE/ Casa de Sula/ Int./ Dia.

Sula prepara um chá: Ellen, a gente vai te ajudar! Eu e Wagner ficamos muito triste com a notícia da morte do Bruno e do sumiço de Luckas, mas Margot e Munique ainda estão juntos, e pelos telefonemas recentes, eles estão muito bem! Munique encontrou a mãe, estava tão feliz.

Ellen, depressiva: Eu vou querer rever o corpo do meu filho, falei com o delegado e ele me deu uma pequena esperança...Mas disse também que os bandidos provavelmente jogaram meu filho num rio, ou queimaram ele- A mulher assoa o nariz- Ele não merecia esse fim. Um jovem tão batalhador...

Wagner a consola: É tão terrível que as palavras até somem. As pessoas estão cada vez mais desumanas, creio que chegaremos a uma época onde seremos como robôs. Esses bandidos...Não são gente. Eu e Sula rezamos muito pelo Bruno, e por todos. Nosso luto vai permanecer. A pobre Margot deve estar sofrendo demais.

Ellen: Eu não tenho mais forças pra viver...

O celular de Sula toca.

Sula serve chá para a visita e logo após atende: Alô?

Alexandra, em tom ácido: QUER DIZER QUE VOCÊ DEIXOU O MENINO VIR PRA RECIFE, GORDÊNIA?

Sula pensa em desligar, tamanho o pavor, mas não tem coragem: Dona Alexandra...

Alexandra grita: VOCÊ NÃO DEVIA TER FEITO ISSO, GORDÊNIA! ASSINOU A SENTENÇA DE MORTE DE MUNIQUE! HOJE MESMO ELE TENTOU FALAR COM O PAI MAS NÃO VOU PERMITIR QUE ESSA APROXIMAÇÃO ACONTEÇA!

Sula, apavorada: NÃO MATA ELE, DONA ALEXANDRA, POR FAVOR!

Alexandra ri: Pensasse nisso antes de permitir que ele viesse pra cá...- Ela desliga- R.I.P Munique.

Sula, estarrecida: DONA ALEXANDRA NÃO FAZ ISSO! DONA ALEXANDRA!- O celular cai no chão- Demônia! Ela não pode fazer nada com o Munique, que o anjo da guarda dele o proteja do mal! Ou eu não vou me perdoar.

Cena 05- Em frente ao Monte Castelo Hotel/ Int./ Dia.

Munique fica caído no chão, sangrando um pouco, mas ainda consciente. Gaspar sai do carro e checa se não há ninguém mesmo na rua e pega sua arma.

Munique, apavorado: SOCORRO! SOCORR...

Gaspar o chuta: CALA A BOCA!- Ele ameaça apertar o gatilho- Você não devia ter vindo aqui, garoto...É UMA PENA  O QUE VOU TER QUE FAZER!

Munique disfarçadamente tira o canivete lhe dado pelos pais do bolso: QUEM TE MANDOU FAZER ISSO COMIGO? QUEM?

Gaspar se ajoelha: Você deveria saber, garoto... Quem te odeia?

Munique, em um golpe preciso, consegue lançar o canivete na direção de Gaspar e fazer um pequeno corte na altura de seu ombro, o bandido atira. A bala vai na direção do asfalto. Antes que possa disparar outro, sente o ombro e acaba sendo empurrado por Munique, que recupera o canivete. A arma do bandido vai longe.

Munique o ameaça: PARECE QUE O JOGO VIROU, NÃO É MESMO? FALA, QUEM TE MANDOU AQUI! DIZ!

Gaspar mente: FOI SEU PAPAI MARCUS!- Ele tenta avançar para cima do garoto, que consegue lhe atingir novamente. Gaspar cai no chão, urrando de dor, ele rasteja para tentar recuperar a arma. Ainda chocado com a revelação, Munique arranca em uma corrida e logo sai do campo de vista do bandido.

Munique, todo debilitado, consegue achar um ponto de referência e para de respirar depois de alguns minutos de corrida: Meu...Pai?- Ele começa a passar mal, ainda sentindo dores. O rosto estava arranhado e inchado, bem como os braços, seus sentidos ainda não estavam como deveriam estar.

O mundo girava para Munique.

Um pouco depois...

Munique é cuidado por Marcelina. Susana encarava a janela.

Susana, fria: Eu sabia que uma coisa desse tipo ia acontecer, Munique. É ruim ter que usar a frase eu te avisei, mas tem algo mais pertinente? Um atropelamento, tentativa de assassinato... Meu estômago tá embrulhado.

Marcelina: Eu concordo com a sua mãe, estou horrorizada com isso que te aconteceu, meu neto, mas certas coisas tem que ser sentidas na pele para o ser humano enxergar o que é melhor. Depois dessa, eu nem vou precisar te proibir de procurar seu pai, porquê tá explicito que essa situação foi armada por aquela gente... Você teve muita sorte, Deus te protegeu!

Munique, que estava quieto desde que chegara: Eu não vou precisar mais procurar o meu pai porquê dei meu endereço pra que ele fizesse isso, se o sujeito se interessar, vai bater na porta da Suspirela. Quando apareci na frente do meu pai, deu pra perceber que ele ficou muito chocado, e, embora ainda desconfie de mim, tenho certeza que vai voltar a me procurar. E já que comecei, vou fundo nessa história... Sobre o atentado...- Ele se lembra do que Gaspar lhe disse- Eu vou ignorar isso. Por enquanto.

Susana: MUNIQUE, NÓS DEMORAMOS ANOS PRA TE ENCONTRAR, MEU FILHO... NÃO QUEIRA CORRER ESSE RISCO! OLHA SÓ O SEU ESTADO!

Munique, enraivado: CHEGA! Eu já disse que ele vem me procurar, e se não vier, eu esqueço essa história...- Ele se levanta- Eu tô aqui vivo, gente! E prefiro arriscar a minha vida, mãe, do que deixar que você faça isso com a sua tal vingança... Marcus Vilalobos vai se arrepender de tudo o que te fez.

Marcelina e Susana se entreolham, tensas.



Cena 06- Haras Campestrini Ferrari/ Int./ Sala/ Dia.

Fábio e Luckas tem uma pausa no trabalho.

Luckas pega o celular que Bruno lhe dera antes de ser assassinado e encara o aparelho até resolver ligar para Margot: Não tenho certeza se ela colocou o celular na meia como eu, mas tenho que tentar...- Ele aperta no ícone com o nome da irmã.

No Monte Castelo Hotel, Margot faz seus primeiros serviços como camareira. Tarefas que envolviam limpar os quartos, dobrar lençóis e coisas do tipo. Com ela estavam algumas garotas, incluindo Ingrid, sendo severamente supervisionadas por um homem. Era a etapa final antes da real contratação.

No meio do silencioso ambiente de trabalho, o celular da moça começa a vibrar. Felizmente, na hora em que o supervisor falava com um semelhante. A jovem tem tempo de checar quem fazia a ligação, e se surpreende ao ver de quem se tratava. Sem pensar duas vezes, ela corre para uma área onde não pode ser vista, de frente para o mar, e atende.

Margot, emocionada: LUCKAS?

Luckas: Não posso falar muito, minha irmã, só quero saber se você tá bem!

Margot, ofegante: É claro que eu tô bem, você sabe que eu e Nique nos viramos! A gente tá em uma pensão. E você? Que susto foi esse que você resolveu me dar?! A mamãe tá preocupada, Luckas! Me fala onde você tá e como está sobrevivendo, temos que nos reencontrar e...

Luckas a interrompe: Não vai ser possível um encontro agora, mas eu estou bem, e só queria saber se você estava. Tenho que desligar, mas vou tentar manter certo contato... Se cuida. E conforte a mamãe.

Margot: Luck...- Ele desliga- LUCKAS!

Luckas retira a bateria do celular e o guarda novamente. Ele se levanta: Eu vou ir beber água e aí podemos recomeçar, Fábio...

Fábio se abana: Claro, Luckas, você está se saindo um excelente aprendiz. Lembra de entrar pela porta dos fundos...

Luckas sorri: Obrigado, Fábio, e nem precisa me lembrar. Eu sei meu lugar- Ele caminha até a porta dos fundos, no entanto dá meia volta e entra pela da frente- Esse é meu lugar- E caminha lentamente, fazendo pose de chefe, até a cozinha. Bebe água. Na volta, algo lhe atrai.

Fernie chega na sala: Mãe?- O ambiente está vazio- Achei que ela estava aqui...

O Conde Gian sai da biblioteca: Bárbara foi para um encontro com amigas. Mas eu ainda estou aqui, Fernanda, esperando suas desculpas.

Fernie vira o rosto: Eu não te devo desculpas, Gian. Pensei até em ser sua amiga depois da nossa separação, mas suas atitudes recentes só estão me fazendo criar ódio por você. E o grau do meu ódio tá aumentando...

Gian: Já o nível de meu amor só aumenta- Ele a pega pelo braço- Vou fingir que esqueci as palavras horrendas que me disse e recomeçar. Me dá um beijo.

Fernie tenta se soltar: Conde, eu não quero ser agressiva...

Gian: Nem eu, só lhe peço um delicado beijo... Vem, meu amor.

Fernie afasta o rosto: ME SOLTA, SEU NOJENTO!

Luckas surge na sala: Algum problema, dona Fernanda?

Gian solta ela: Você vê algum problema aqui? Aliás, não devia estar cuidando dos cavalos? A área deles é longe, portanto não vejo utilidade na sua mísera presença nesse recinto... Saia. Calado, de preferência.

Fernie: Eu não vejo utilidade na SUA presença aqui nesse haras, Gian, já que não temos nenhum tipo de relacionamento! Toma vergonha na sua cara e vai embora! NINGUÉM MAIS TE QUER AQUI, AINDA MAIS DEPOIS DE DEMONSTRAR O QUÃO NOJENTO VOCÊ É! E não admito que trate o Luckas assim, ele ao menos é honesto. Já você... Tem alguma qualidade ainda?

Gian, mórbido: Essas palavras vão perder todo o sentido quando eu me tornar seu esposo... E demitir esse empregadinho. Aí minha presença vai ser bem útil.

Fernie lhe dá um tapa na cara. Luckas não se mexe.

Gian ri: Aguarde, Fernanda... Já ouço a marcha nupcial tocando na igreja. E PODE BEIJAR A NOIVA, dirá o padre... E você vai ser minha- Ele sobe as escadas- ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE.

Fernie, num acesso de raiva: Sua riqueza é equivalente a sua falta de caráter, seu monstro repugnante! Não vou deixar que permaneça nessa casa por muito tempo... Como não percebi esse seu lado antes? VOCÊ NÃO VAI FICAR AQUI, CONDE! EU NÃO VOU PERMITIR!- Ela se senta no sofá, ainda enérgica.

Luckas vai consolá-la, e acaba recebendo um inesperado abraço.



Cena 07- Monte Castelo Hotel/ Int./ Sala 012/ FIM DE TARDE.

Liana, impressionada: est mon champagne? Que história maldita é essa de filho numa hora dessas, Alexandra? O garoto ainda tá aqui?

Alexandra: A essas horas deve estar a caminho do purgatório. Mandei Gaspar eliminar ele antes que os problemas crescessem... Mas a mãe do infeliz ainda está bem viva, e com ela tenho que me preocupar. Susana alimentou um desejo de ódio contra a gente, não é necessário ser vidente pra fazer essa afirmação!

Liana: Ainda bem que você é bem prática, ou teríamos que nos preocupar com esse filho...Urgh! Essa palavra me dá até um certo repúdio! Quanto a pobretona presidiária... Vamos deixa-la em banho-maria por enquanto, até as coisas no hotel se estabilizarem. Depois fazemos nossa jogada. Mas e o Marcus? Do jeito que conheço ele, deve ter se fascinado com a possibilidade da descoberta do herdeiro perdido.

Alexandra range os dentes: Se fascinou mesmo, mas foi algo momentâneo, quando for procurar o garoto, vai receber a notícia de sua morte e logo tudo volta ao normal...- Seu celular toca- Alexandra falando. Gaspar? Fez o serviço direito? Já jogou o corpo no mar?

Gaspar, com gelo no ombro: O garoto conseguiu fugir...

Alexandra, possessa: EU NÃO ACREDITO, GASPAR! VOCÊ NÃO TEM COMPETÊNCIA PRA MATAR UM MAGRELO DAQUELES? PERDEU VITALIDADE? CANSEI DE CONFIAR EM VOCÊ, ESTOU FARTA DE ERROS- Ela joga o celular no chão- AAAAAAAAH! ELE CONTINUA VIVO!

Liana lhe dá um tapa: Histeria não resolve nada e nos causa problemas de pele! Temos que dar um jeito do Marcus perder o endereço do tal filho, aí podemos matar o sujeito antes que seja feito um DNA ou coisa do tipo.

Alexandra respira fundo: Certo...Vou ser neutra e sorrateira. Hora de colocar a máscara momentânea da boa esposa que nunca vou ser.

Liana filosofa: Às vezes as máscaras expõem nossa realidade.

Alexandra sai andando: Belas palavras, cole-as na testa- Ela entra no escritório de Marcus- Meu amor, eu...- Não há ninguém lá. Alexandra entra em pânico- Ele já foi a procura do filho...ELE JÁ FOOOI!- Ela arranca os cabelos.

Cena 08- Ruas de Recife/ Ext./ Dia.

O veículo estaciona na faixa de pedestre, com o rádio no volume máximo.

RITA ORA- POISON     C O N T I N U E  N A  O X E N T E  F.M      103.5



Andressa estava acabada. Não havia dormido a noite. No carro, várias garrafas de cerveja, salgadinhos, entre outros itens que não merecem ser descritos. Suas olheiras eram bem evidentes. No banco ao lado, uma bexiga lhe fazia companhia.

Andressa tenta aumentar mais o volume do rádio: Como é, bexiguinha? O que você perguntou?- A bexiga se mexe por conta do vento vindo da janela de trás- Você perguntou quem eu sou? EU NÃO SEI QUEM EU SOU! NÃO SEI NEM O NOME DO MEU PAI VERDADEIRO! Ninguém se importa comigo, sou tão escutada quanto você...Minha opinião não vale cuspe seco! EU NÃO SOU NADA! E ainda tenho a pior mãe que alguém pode desejar! ELA É COMO UMA MAÇÃ- A jovem abre uma latinha de energético- UMA MAÇÃ LINDA POR FORA E PODRE POR DENTRO, COM DIREITO A MINHOCA E TUDO.

A bexiga, guiada pelo vento, se aproxima de Andressa.

Andressa buzina: NÃO, EU NÃO PRECISO DE CONSOLO! EU NÃO PRECISO DE NADA, SÓ QUE ME DEIXEM EM PAAAAAZ! VIVI NUMA REDE DE MENTIRAS POR ESSES ANOS TODOS, O QUE MAIS POSSO DESEJAR? EU SOU UM LIXO! UM LIXO! E RESULTADO DE UM LIXO!

A bexiga vai até o freio de mão, onde Andressa havia enterrado o R.G. A garota pega o documento e olha bem para sua foto.

Andressa: Você tem razão, bexiguinha, eu não sou um lixo. Mas eu preciso ter uma identidade própria...Uma identidade que incomode muita gente, inclusive minha mãe...Não quero ganhar a atenção dela, e sim mostrar pra aquela megera que eu também existo! JÁ SEI O QUE FAZER, FINALMENTE VOU TOMAR UM RUMO! E pra isso vou ter que aderir... Ao movimento gótico- Ela acelera, completamente descontrolada, enquanto a bexiga estoura ao entrar em contato com uma caneta jogada no capô.

Cena 09- Monte Castelo Hotel/ Int./ Fim de tarde.

ENTRA A MÚSICA: HOTEL CALIFÓRNIA- THE EAGLES.



O primeiro dia de serviço dos funcionários do Monte Castelo Hotel estava quase acabando. Alencar coordenava e supervisionava os serviços, tal qual a maioria dos gerentes fazia. Saskia se dava muito bem na cozinha. Dani havia sido aprovada como recepcionista, em parte por conta de seu conhecimento em línguas. Ingrid era uma boa camareira, até agora. Mateus inspecionava os submarinos, por onde os hóspedes entrariam, tendo acesso ao hotel.

Margot “lê” um livro, já que seu expediente, por hora, estava acabado. Entre aspas mesmo, pois só consegue pensar na ligação de Luckas, e no passado não muito distante em que ainda vivia com a família: As mudanças acontecem tão rapidamente...- Ela murmura.

João se aproxima: É verdade. Há poucos dias eu ainda estava no interior de Pernambuco e hoje estou em um hotel debaixo d’água. Que contraste, não?

Margot sorri: Ah, você é o novo hóspede da Suspirela! Na correria nem tivemos tempo pra nos apresentar- Ela se levanta- Margarida. Mas eu não gosto do meu nome, então prefiro Margot.

João: Eu estava te observando, ansioso pra me apresentar, mas não queria atrapalhar a leitura. A hora de ler é sagrada pra mim, e pelo visto pra você também- Ele a cumprimenta- Prazer, João Victor, e gosto do meu nome. Mas os preguiçosos preferem J.V.

Margot: Então deu sorte, não sou preguiçosa! É bom ver gente que ainda aprecia uma boa leitura. Um país se faz com...

João completa: Homens e livros. Passei minha adolescência toda falando isso. Nós temos muito em comum, se acreditasse em alma gêmea, estaria bem radiante...

Saskia aparece: Graças a Deus achei vocês, estou perdida nessa imensidão azul, ainda mais por estar vazia...Vamos achar os outros e ir para casa que é melhor!

João estende o braços: Vamos, Margot?

Margot o acompanha: Um gentleman?

João: Talvez. Não consigo me definir em uma só palavra.

Margot ri: Eu gostei de você, temos muitas coisas em comum. E acho que vamos compartilhar muitos livros- Eles continuam falando.

Cena final- Suspirela/ Int./ Início de noite.

Em seu quarto, Munique fica à espreita na janela. Ele espera o pai.

No andar de baixo, Suspiro e Susana conversam.

Susana, na mesa: Ele tá achando mesmo que o Marcus vai vir... Tô com pena do meu filho. Depois desse episódio horrível que aconteceu hoje à tarde, tenho medo também, Suspiro...

Suspiro: Essa afobação pra conhecer o pai logo vai passar quando ele conviver por uns dias com o Marcus, se é que isso vai acontecer. Olha, eu nunca vou conseguir perdoar aquele canalha pelo que ele fez. Todo mundo sofreu muito, Susana, você principalmente, mas nós também... Deixa o Munique conhecer o Marcus. Deixa. Logo a ficha vai cair.

Lá fora, Marcus estaciona o carro. Uma onda de lembranças invade seus pensamentos quando ele olha para a Suspirela, agora um pouco modificada. Se lembra dos bons e maus momentos, mas a onda logo cessa e ele se concentra no que veio fazer. Se dirige à porta.

Peninha estaciona o seu veículo não muito longe. Ele fica abismado ao ver quem estava na porta da Suspirela, e esfrega os olhos, para confirmar a visão.

A campainha toca. Munique sai do quarto.

Suspiro: Devem ser os meus hóspedes! Como será que foi o primeiro dia de emprego no hotel? Aliás, espero que não tenha ressentimentos quanto à isso.

Susana se levanta: Nenhum, Suspiro, imagina! Eu entendo que eles precisam de emprego e o tal Monte Castelo é boa opção- Ela se dirige a porta- E provando que não estou ressentida, vou recepciona-los- Brinca.

Munique desce as escadas.

Susana gira a maçaneta e abre a porta.

E vê Marcus.




TERMINA O CAPÍTULO 20.
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3 comentários:

  1. Coitado do Munique... Pagando preço por ter entrado no caminho da Alexandra. E a mulher ainda tenta manipular Marcus falando que não é filho dele... Como???! Todo mundo, inclusive ela, diz que o menino é parecido. Marcus é bobo se acreditar nessa história. E torço que o Marcus sofra um pouco, mas quero que ele se reconcilie com o filho e que essa história termine bem. Já para Alexandra, desejo... bom, todo mundo já sabe. Andressa surtou, é isso mesmo???! Falando com uma bexiga, normal não pode ser. Acho que gostei de Margot e J.V (sou preguiçoso) juntos... Vamos acompanhar. Que ganchão! Qual será a reação de Susana??!

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  2. ''Parece que o jogo virou, não é mesmo?'' Hahahahaha
    Ainda bem que o Munique foi mais rápido. Mas Alexandra parece que não vai desistir.
    Margot e João... Será? Mas como fica o Munique? Tô curtindo Luckas e Fernie também.
    QUE GANCHO.

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  3. Shippando Margão. Posso chamar assim? Acho que assim como João, o casal não pode se definir em uma só palavra.
    E que dó da Andressa! Diferente do Marcus, dela eu tenho pena, principalmente pelos pais que tem... E Munique decidiu compartilhar dessa paternidade. Mas concordo com Marcelina e Suspiro, e acho bom que o garoto prove um pouco da nuvem negra que cerca Marcus.

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