Cena 01- Monte Castelo Hotel/
Int./ Escritório/ Dia.
Marcus engole em seco: Escuta aqui,
garoto, você chega sem mais nem menos no meu escritório, interrompe uma
atividade importante minha, e ainda fica falando besteira? Vou acionar a
segurança que é melhor, como te deixaram entrar?
Munique: Então genética é besteira
pra você? Eu sou seu filho, quer que eu fale de outra forma?! Filho seu e da
Susana. Aquele que tinha sido raptado, pois bem.
Marcus, furioso: VOCÊ TEM COMO PROVAR
ISSO?! Se baseou em quê? E que petulância é essa? COM QUEM VOCÊ ACHA QUE TÁ
FALANDO?
Munique: COM O MEU PAI! Eu vim do
interior de Minas atrás de você, passei por um monte de percalços, até por um
assalto que me levou tudo! Então não tem como eu falar em outro tom!- Ele
inicia um choro- Eu só queria que meu pai me ajudasse... Faz um DNA, eu garanto
que o resultado vai dar o que eu tô te falando...
Marcus não tira o olho do garoto: Não
é possível que... Isso tá muito estranho, muito rápido, eu ainda não entendi...
Alexandra entra na sala: Marcus,
eu...- Ela percebe a presença de Munique.
Alexandra o encara. Munique não perde
a firmeza.
ELOS- CAPÍTULO 20,
Roteiro: Victor Morais.
Cena 02- Monte Castelo Hotel/
Int./ Escritório/ Dia.
Marcus e Alexandra observam Munique
por uma janela. O garoto estava sentado no corredor.
Alexandra ri: Ele não é seu filho, tá
na cara. Um menino que chega do nada fazendo essa afirmação é de se desconfiar
muito... Dispensa logo o garoto e vamos conversar sobre a inauguração. Tenho
umas pautas aqui.
Marcus: Eu também achei estranho,
Alexandra, mas ele se parece muito comigo, então não tem como ignorar! Já fiz umas
perguntas pra ele...Veio de Minas, os pais adotivos contaram o meu nome. Ah, e
ele se chama Munique.
Alexandra gela. Uma lembrança vem
imediatamente em sua cabeça.
FLASHBACK.
Gordênia, assombrada: Não precisa tanta frieza. Eu não tenho parentes
aqui mesmo, nem casa...Posso ir com Munique
para Minas, né bebê?- Ela o acaricia.
Alexandra acelera: Ótimo, mas só pra te avisar, é um menino.
Gordênia ri: Não importa, eu amo esse nome. Vou deixar Munique mesmo.
VOLTA A CENA.
Marcus: Não sei o que fazer, realmente
não esperava esse tipo de situação- Ele se escora na parede- O meu filho
perdido. Se for realmente ele, vai ser a minha maior alegria! Até hoje não sei
como aquele rapto aconteceu...
Alexandra não demonstra o nervosismo:
Coloca a cabeça pra funcionar, Marcus, um filho seu não chegaria desse modo,
escancarando tudo, jogando verdades. Alguém quer se aproveitar da sua fama por
conta da inauguração do Hotel e inventou isso. Chama-se golpe, tenho a
definição na ponta da língua. Manda a segurança retirar o tal Munique, se é que
se chama mesmo assim...
Marcus suspira: Claro que não vou
fazer isso, seria imprudente. Se ele é meu filho ou não, é impossível saber
agora, mas quero manter contato com esse menino e fazer um teste de DNA. Vou
pegar o endereço dele...
Alexandra: Quer dizer que se qualquer
menino chegar aqui afirmando ser seu filho, você vai gastar dinheiro fazendo
DNA? Marcus, saiba lidar com fatos. Uma história sem pé nem cabeça como essa
foi claramente articulada. DNA só vai prolongar uma incerteza desnecessária!
Marcus abre a porta: Estou
trabalhando com probabilidades, e a aparência desse garoto pode indicar algo...
Não vou perder uma chance dessas, Alexandra! DNA não é nada, e eu pago uma
quantia a mais pro resultado sair no mesmo dia, é assim que funciona o mundo,
sei lidar muito bem com “ as coisas”- Ele chama Munique- Garoto, me passa o teu
endereço. Ainda hoje posso te procurar, se eu tiver tempo... E espero que valha
a pena.
Alexandra fica inquieta. Munique
anota o endereço da Suspirela.
Marcus, sério: Pode ir despreocupado,
já disse que vou tomar as providências- Munique assente- Só um último ponto:
Como conseguiu entrar aqui?
Munique sorri: Eu tenho meus truques,
pai. E posso te chamar assim porquê tenho certeza que você é meu pai. Mais
alguma pergunta?
Marcus, ainda chocado com a aparência
do que estava em sua frente: Tenho um verdadeiro questionário, mas não posso
fazê-lo agora. Até mais tarde, Munique.
Munique sai andando: Eu não sou sua
prioridade...Mas ainda vou ser, pai.
Cena 03- Monte Castelo Hotel/
Int./ Dia.
Munique vê Margot sentada em um banco
junto com outras garotas e vai até ela: Estranho esse lugar debaixo d’água, né?
Como tá indo o emprego?
Margot se levanta: Mais estranho
ainda é ver ele vazio. Eu ainda não trabalhei, tô nessa fila porquê naquela
sala- Ela aponta- Tem um homem checando se nossos padrões estão mesmo
apropriados para a função de camareira? Mas estou mais ansiosa pra saber como
foi a conversa com seu pai!
Munique conta: Ríspida. Eu vi nele
uma imagem fria e cansada, manipulado pela mulher, claramente, mas não papeei
com sentimentalismo, fui direto ao ponto. Ouvi ele e a esposa falando de DNA,
mas o que mais me chamou atenção foi o interesse do meu pai em achar o filho.
Pelo visto, esperava esse reencontro há anos, bem como eu.
Margot sorri: Cê vai despertar nele
um sentimento de pai bem adormecido, Nique. Não está nem um pouco emocionado?
Sonhou tanto com isso!
Munique: Esse homem destruiu a vida
da minha mãe, Margot, por enquanto, eu não posso ter carinho ou coisa do tipo
com ele, a menos que o próprio faça por merecer. Com a Susana é diferente. Dá
pra ver no rosto dela o quanto sofreu na cadeia por culpa daquele homem com
quem acabei de falar... Meus pais são mais complexos do que eu esperava, mas tô
pronto pro desafio.
Um homem surge na porta: MARGARIDA
FONTES!
Margot o abraça: Tenho que ir, depois
a gente conversa mais, sabe que eu amo conversar contigo- Ela sai.
Munique anda rumo à saída do hotel,
mais mexido por dentro do que aparenta. Ele guarda bem na memória a imagem
fresca do pai.
Alexandra o observa, de longe,
enquanto fala no telefone: É o próprio, Gaspar, disse que é filho do Marcus,
mas ainda não temos certeza absoluta! Acaba com a raça desse garoto e não deixa
rastro nenhum... Seja cauteloso para que ninguém te flagre, ele está saindo
agora! Confio essa missão à você.
Gaspar masca chiclete: Pode deixar,
patroa. O frango vai ser abatido- Ele desliga e vai até a saída do hotel, onde
a futura vítima estava. A ponte que ligava a terra e o Monte Castelo estava vazia,
Munique anda sem pressa até chegar no asfalto, sem notar que o bandido lhe
monitorava.
Gaspar vai com o carro lentamente até
ele, que se prepara para atravessar a rua. De repente, engata a outra marcha e
acelera na direção do jovem, invadindo a calçada. Munique mal tem tempo de
reagir quando vê o carro vindo em sua direção, ele tenta fugir mas é atingido e
arremessado à uma curta distância.
Cena 04- FEIO HORIZONTE/ Casa
de Sula/ Int./ Dia.
Sula prepara um chá: Ellen, a gente
vai te ajudar! Eu e Wagner ficamos muito triste com a notícia da morte do Bruno
e do sumiço de Luckas, mas Margot e Munique ainda estão juntos, e pelos
telefonemas recentes, eles estão muito bem! Munique encontrou a mãe, estava tão
feliz.
Ellen, depressiva: Eu vou querer
rever o corpo do meu filho, falei com o delegado e ele me deu uma pequena
esperança...Mas disse também que os bandidos provavelmente jogaram meu filho
num rio, ou queimaram ele- A mulher assoa o nariz- Ele não merecia esse fim. Um
jovem tão batalhador...
Wagner a consola: É tão terrível que
as palavras até somem. As pessoas estão cada vez mais desumanas, creio que
chegaremos a uma época onde seremos como robôs. Esses bandidos...Não são gente.
Eu e Sula rezamos muito pelo Bruno, e por todos. Nosso luto vai permanecer. A
pobre Margot deve estar sofrendo demais.
Ellen: Eu não tenho mais forças pra
viver...
O celular de Sula toca.
Sula serve chá para a visita e logo
após atende: Alô?
Alexandra, em tom ácido: QUER DIZER
QUE VOCÊ DEIXOU O MENINO VIR PRA RECIFE, GORDÊNIA?
Sula pensa em desligar, tamanho o
pavor, mas não tem coragem: Dona Alexandra...
Alexandra grita: VOCÊ NÃO DEVIA TER
FEITO ISSO, GORDÊNIA! ASSINOU A SENTENÇA DE MORTE DE MUNIQUE! HOJE MESMO ELE
TENTOU FALAR COM O PAI MAS NÃO VOU PERMITIR QUE ESSA APROXIMAÇÃO ACONTEÇA!
Sula, apavorada: NÃO MATA ELE, DONA
ALEXANDRA, POR FAVOR!
Alexandra ri: Pensasse nisso antes de
permitir que ele viesse pra cá...- Ela desliga- R.I.P Munique.
Sula, estarrecida: DONA ALEXANDRA NÃO
FAZ ISSO! DONA ALEXANDRA!- O celular cai no chão- Demônia! Ela não pode fazer
nada com o Munique, que o anjo da guarda dele o proteja do mal! Ou eu não vou
me perdoar.
Cena 05- Em frente ao Monte
Castelo Hotel/ Int./ Dia.
Munique fica caído no chão, sangrando
um pouco, mas ainda consciente. Gaspar sai do carro e checa se não há ninguém
mesmo na rua e pega sua arma.
Munique, apavorado: SOCORRO!
SOCORR...
Gaspar o chuta: CALA A BOCA!- Ele
ameaça apertar o gatilho- Você não devia ter vindo aqui, garoto...É UMA
PENA O QUE VOU TER QUE FAZER!
Munique disfarçadamente tira o
canivete lhe dado pelos pais do bolso: QUEM TE MANDOU FAZER ISSO COMIGO? QUEM?
Gaspar se ajoelha: Você deveria
saber, garoto... Quem te odeia?
Munique, em um golpe preciso,
consegue lançar o canivete na direção de Gaspar e fazer um pequeno corte na
altura de seu ombro, o bandido atira. A bala vai na direção do asfalto. Antes
que possa disparar outro, sente o ombro e acaba sendo empurrado por Munique,
que recupera o canivete. A arma do bandido vai longe.
Munique o ameaça: PARECE QUE O JOGO
VIROU, NÃO É MESMO? FALA, QUEM TE MANDOU AQUI! DIZ!
Gaspar mente: FOI SEU PAPAI MARCUS!-
Ele tenta avançar para cima do garoto, que consegue lhe atingir novamente.
Gaspar cai no chão, urrando de dor, ele rasteja para tentar recuperar a arma.
Ainda chocado com a revelação, Munique arranca em uma corrida e logo sai do
campo de vista do bandido.
Munique, todo debilitado, consegue
achar um ponto de referência e para de respirar depois de alguns minutos de
corrida: Meu...Pai?- Ele começa a passar mal, ainda sentindo dores. O rosto
estava arranhado e inchado, bem como os braços, seus sentidos ainda não estavam
como deveriam estar.
O mundo girava para Munique.
Um pouco depois...
Munique é cuidado por Marcelina.
Susana encarava a janela.
Susana, fria: Eu sabia que uma coisa
desse tipo ia acontecer, Munique. É ruim ter que usar a frase eu te
avisei, mas tem algo mais pertinente?
Um atropelamento, tentativa de assassinato... Meu estômago tá embrulhado.
Marcelina: Eu concordo com a sua mãe,
estou horrorizada com isso que te aconteceu, meu neto, mas certas coisas tem
que ser sentidas na pele para o ser humano enxergar o que é melhor. Depois
dessa, eu nem vou precisar te proibir de procurar seu pai, porquê tá explicito
que essa situação foi armada por aquela gente... Você teve muita sorte, Deus te
protegeu!
Munique, que estava quieto desde que
chegara: Eu não vou precisar mais procurar o meu pai porquê dei meu endereço
pra que ele fizesse isso, se o sujeito se interessar, vai bater na porta da
Suspirela. Quando apareci na frente do meu pai, deu pra perceber que ele ficou
muito chocado, e, embora ainda desconfie de mim, tenho certeza que vai voltar a
me procurar. E já que comecei, vou fundo nessa história... Sobre o atentado...-
Ele se lembra do que Gaspar lhe disse- Eu vou ignorar isso. Por enquanto.
Susana: MUNIQUE, NÓS DEMORAMOS ANOS
PRA TE ENCONTRAR, MEU FILHO... NÃO QUEIRA CORRER ESSE RISCO! OLHA SÓ O SEU
ESTADO!
Munique, enraivado: CHEGA! Eu já
disse que ele vem me procurar, e se não vier, eu esqueço essa história...- Ele se
levanta- Eu tô aqui vivo, gente! E prefiro arriscar a minha vida, mãe, do que
deixar que você faça isso com a sua tal vingança... Marcus Vilalobos vai se
arrepender de tudo o que te fez.
Marcelina e Susana se entreolham,
tensas.
Cena 06- Haras Campestrini
Ferrari/ Int./ Sala/ Dia.
Fábio e Luckas tem uma pausa no
trabalho.
Luckas pega o celular que Bruno lhe
dera antes de ser assassinado e encara o aparelho até resolver ligar para
Margot: Não tenho certeza se ela colocou o celular na meia como eu, mas tenho
que tentar...- Ele aperta no ícone com o nome da irmã.
No Monte Castelo Hotel, Margot faz
seus primeiros serviços como camareira. Tarefas que envolviam limpar os
quartos, dobrar lençóis e coisas do tipo. Com ela estavam algumas garotas,
incluindo Ingrid, sendo severamente supervisionadas por um homem. Era a etapa
final antes da real contratação.
No meio do silencioso ambiente de
trabalho, o celular da moça começa a vibrar. Felizmente, na hora em que o
supervisor falava com um semelhante. A jovem tem tempo de checar quem fazia a
ligação, e se surpreende ao ver de quem se tratava. Sem pensar duas vezes, ela
corre para uma área onde não pode ser vista, de frente para o mar, e atende.
Margot, emocionada: LUCKAS?
Luckas: Não posso falar muito, minha
irmã, só quero saber se você tá bem!
Margot, ofegante: É claro que eu tô
bem, você sabe que eu e Nique nos viramos! A gente tá em uma pensão. E você?
Que susto foi esse que você resolveu me dar?! A mamãe tá preocupada, Luckas! Me
fala onde você tá e como está sobrevivendo, temos que nos reencontrar e...
Luckas a interrompe: Não vai ser
possível um encontro agora, mas eu estou bem, e só queria saber se você estava. Tenho que desligar, mas vou tentar manter certo contato... Se cuida. E
conforte a mamãe.
Margot: Luck...- Ele desliga- LUCKAS!
Luckas retira a bateria do celular e
o guarda novamente. Ele se levanta: Eu vou ir beber água e aí podemos
recomeçar, Fábio...
Fábio se abana: Claro, Luckas, você
está se saindo um excelente aprendiz. Lembra de entrar pela porta dos fundos...
Luckas sorri: Obrigado, Fábio, e nem
precisa me lembrar. Eu sei meu lugar- Ele caminha até a porta dos fundos, no
entanto dá meia volta e entra pela da frente- Esse é meu lugar- E caminha
lentamente, fazendo pose de chefe, até a cozinha. Bebe água. Na volta, algo
lhe atrai.
Fernie chega na sala: Mãe?- O
ambiente está vazio- Achei que ela estava aqui...
O Conde Gian sai da biblioteca:
Bárbara foi para um encontro com amigas. Mas eu ainda estou aqui, Fernanda,
esperando suas desculpas.
Fernie vira o rosto: Eu não te devo
desculpas, Gian. Pensei até em ser sua amiga depois da nossa separação, mas
suas atitudes recentes só estão me fazendo criar ódio por você. E o grau do meu
ódio tá aumentando...
Gian: Já o nível de meu amor só
aumenta- Ele a pega pelo braço- Vou fingir que esqueci as palavras horrendas
que me disse e recomeçar. Me dá um beijo.
Fernie tenta se soltar: Conde, eu não
quero ser agressiva...
Gian: Nem eu, só lhe peço um delicado
beijo... Vem, meu amor.
Fernie afasta o rosto: ME SOLTA, SEU
NOJENTO!
Luckas surge na sala: Algum problema,
dona Fernanda?
Gian solta ela: Você vê algum
problema aqui? Aliás, não devia estar cuidando dos cavalos? A área deles é
longe, portanto não vejo utilidade na sua mísera presença nesse recinto...
Saia. Calado, de preferência.
Fernie: Eu não vejo utilidade na SUA
presença aqui nesse haras, Gian, já que não temos nenhum tipo de
relacionamento! Toma vergonha na sua cara e vai embora! NINGUÉM MAIS TE QUER
AQUI, AINDA MAIS DEPOIS DE DEMONSTRAR O QUÃO NOJENTO VOCÊ É! E não admito que
trate o Luckas assim, ele ao menos é honesto. Já você... Tem alguma qualidade
ainda?
Gian, mórbido: Essas palavras vão
perder todo o sentido quando eu me tornar seu esposo... E demitir esse
empregadinho. Aí minha presença vai ser bem útil.
Fernie lhe dá um tapa na cara. Luckas
não se mexe.
Gian ri: Aguarde, Fernanda... Já ouço
a marcha nupcial tocando na igreja. E PODE BEIJAR A NOIVA, dirá o padre... E
você vai ser minha- Ele sobe as escadas- ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE.
Fernie, num acesso de raiva: Sua
riqueza é equivalente a sua falta de caráter, seu monstro repugnante! Não vou deixar que permaneça nessa casa por muito tempo... Como não percebi
esse seu lado antes? VOCÊ NÃO VAI FICAR AQUI, CONDE! EU NÃO VOU PERMITIR!- Ela
se senta no sofá, ainda enérgica.
Luckas vai consolá-la, e acaba
recebendo um inesperado abraço.
Cena 07- Monte Castelo Hotel/
Int./ Sala 012/ FIM DE TARDE.
Liana, impressionada: Où est mon
champagne? Que história maldita é
essa de filho numa hora
dessas, Alexandra? O garoto ainda tá aqui?
Alexandra: A essas horas deve estar a
caminho do purgatório. Mandei Gaspar eliminar ele antes que os problemas
crescessem... Mas a mãe do infeliz ainda está bem viva, e com ela tenho que me
preocupar. Susana alimentou um desejo de ódio contra a gente, não é necessário
ser vidente pra fazer essa afirmação!
Liana: Ainda bem que você é bem
prática, ou teríamos que nos preocupar com esse filho...Urgh! Essa palavra me
dá até um certo repúdio! Quanto a pobretona presidiária... Vamos deixa-la em
banho-maria por enquanto, até as coisas no hotel se estabilizarem. Depois
fazemos nossa jogada. Mas e o Marcus? Do jeito que conheço ele, deve ter se
fascinado com a possibilidade da descoberta do herdeiro perdido.
Alexandra range os dentes: Se
fascinou mesmo, mas foi algo momentâneo, quando for procurar o garoto, vai
receber a notícia de sua morte e logo tudo volta ao normal...- Seu celular
toca- Alexandra falando. Gaspar? Fez o serviço direito? Já jogou o corpo no
mar?
Gaspar, com gelo no ombro: O garoto
conseguiu fugir...
Alexandra, possessa: EU NÃO ACREDITO,
GASPAR! VOCÊ NÃO TEM COMPETÊNCIA PRA MATAR UM MAGRELO DAQUELES? PERDEU
VITALIDADE? CANSEI DE CONFIAR EM VOCÊ, ESTOU FARTA DE ERROS- Ela joga o celular
no chão- AAAAAAAAH! ELE CONTINUA VIVO!
Liana lhe dá um tapa: Histeria não
resolve nada e nos causa problemas de pele! Temos que dar um jeito do Marcus
perder o endereço do tal filho, aí podemos matar o sujeito antes que seja feito
um DNA ou coisa do tipo.
Alexandra respira fundo: Certo...Vou
ser neutra e sorrateira. Hora de colocar a máscara momentânea da boa esposa que
nunca vou ser.
Liana filosofa: Às vezes as máscaras
expõem nossa realidade.
Alexandra sai andando: Belas
palavras, cole-as na testa- Ela entra no escritório de Marcus- Meu amor, eu...-
Não há ninguém lá. Alexandra entra em pânico- Ele já foi a procura do
filho...ELE JÁ FOOOI!- Ela arranca os cabelos.
Cena 08- Ruas de Recife/
Ext./ Dia.
O veículo estaciona na faixa de
pedestre, com o rádio no volume máximo.
|
RITA ORA- POISON C O N T I N U E N A
O X E N T E F.M 103.5
|
Andressa estava acabada. Não havia
dormido a noite. No carro, várias garrafas de cerveja, salgadinhos, entre
outros itens que não merecem ser descritos. Suas olheiras eram bem evidentes.
No banco ao lado, uma bexiga lhe fazia companhia.
Andressa tenta aumentar mais o volume
do rádio: Como é, bexiguinha? O que você perguntou?- A bexiga se mexe por conta
do vento vindo da janela de trás- Você perguntou quem eu sou? EU NÃO SEI QUEM
EU SOU! NÃO SEI NEM O NOME DO MEU PAI VERDADEIRO! Ninguém se importa comigo,
sou tão escutada quanto você...Minha opinião não vale cuspe seco! EU NÃO SOU
NADA! E ainda tenho a pior mãe que alguém pode desejar! ELA É COMO UMA MAÇÃ- A
jovem abre uma latinha de energético- UMA MAÇÃ LINDA POR FORA E PODRE POR
DENTRO, COM DIREITO A MINHOCA E TUDO.
A bexiga, guiada pelo vento, se
aproxima de Andressa.
Andressa buzina: NÃO, EU NÃO PRECISO
DE CONSOLO! EU NÃO PRECISO DE NADA, SÓ QUE ME DEIXEM EM PAAAAAZ! VIVI NUMA REDE
DE MENTIRAS POR ESSES ANOS TODOS, O QUE MAIS POSSO DESEJAR? EU SOU UM LIXO! UM
LIXO! E RESULTADO DE UM LIXO!
A bexiga vai até o freio de mão, onde
Andressa havia enterrado o R.G. A garota pega o documento e olha bem para sua
foto.
Andressa: Você tem razão, bexiguinha,
eu não sou um lixo. Mas eu preciso ter uma identidade própria...Uma identidade
que incomode muita gente, inclusive minha mãe...Não quero ganhar a atenção
dela, e sim mostrar pra aquela megera que eu também existo! JÁ SEI O QUE FAZER,
FINALMENTE VOU TOMAR UM RUMO! E pra isso vou ter que aderir... Ao movimento
gótico- Ela acelera, completamente descontrolada, enquanto a bexiga estoura ao
entrar em contato com uma caneta jogada no capô.
Cena 09- Monte Castelo Hotel/
Int./ Fim de tarde.
ENTRA A MÚSICA: HOTEL CALIFÓRNIA- THE EAGLES.
O primeiro dia de serviço dos
funcionários do Monte Castelo Hotel estava quase acabando. Alencar coordenava e
supervisionava os serviços, tal qual a maioria dos gerentes fazia. Saskia se
dava muito bem na cozinha. Dani havia sido aprovada como recepcionista, em
parte por conta de seu conhecimento em línguas. Ingrid era uma boa camareira,
até agora. Mateus inspecionava os submarinos, por onde os hóspedes entrariam,
tendo acesso ao hotel.
Margot “lê” um livro, já que seu expediente,
por hora, estava acabado. Entre aspas mesmo, pois só consegue pensar na ligação
de Luckas, e no passado não muito distante em que ainda vivia com a família: As
mudanças acontecem tão rapidamente...- Ela murmura.
João se aproxima: É verdade. Há poucos
dias eu ainda estava no interior de Pernambuco e hoje estou em um hotel debaixo
d’água. Que contraste, não?
Margot sorri: Ah, você é o novo
hóspede da Suspirela! Na correria nem tivemos tempo pra nos apresentar- Ela se
levanta- Margarida. Mas eu não gosto do meu nome, então prefiro Margot.
João: Eu estava te observando,
ansioso pra me apresentar, mas não queria atrapalhar a leitura. A hora de ler é
sagrada pra mim, e pelo visto pra você também- Ele a cumprimenta- Prazer, João
Victor, e gosto do meu nome. Mas os preguiçosos preferem J.V.
Margot: Então deu sorte, não sou
preguiçosa! É bom ver gente que ainda aprecia uma boa leitura. Um país se faz
com...
João completa: Homens e livros.
Passei minha adolescência toda falando isso. Nós temos muito em comum, se
acreditasse em alma gêmea, estaria bem radiante...
Saskia aparece: Graças a Deus achei
vocês, estou perdida nessa imensidão azul, ainda mais por estar vazia...Vamos
achar os outros e ir para casa que é melhor!
João estende o braços: Vamos, Margot?
Margot o acompanha: Um gentleman?
João: Talvez. Não consigo me definir
em uma só palavra.
Margot ri: Eu gostei de você, temos
muitas coisas em comum. E acho que vamos compartilhar muitos livros- Eles
continuam falando.
Cena final- Suspirela/ Int./
Início de noite.
Em seu quarto, Munique fica à
espreita na janela. Ele espera o pai.
No andar de baixo, Suspiro e Susana
conversam.
Susana, na mesa: Ele tá achando mesmo
que o Marcus vai vir... Tô com pena do meu filho. Depois desse episódio
horrível que aconteceu hoje à tarde, tenho medo também, Suspiro...
Suspiro: Essa afobação pra conhecer o
pai logo vai passar quando ele conviver por uns dias com o Marcus, se é que
isso vai acontecer. Olha, eu nunca vou conseguir perdoar aquele canalha pelo
que ele fez. Todo mundo sofreu muito, Susana, você principalmente, mas nós
também... Deixa o Munique conhecer o Marcus. Deixa. Logo a ficha vai cair.
Lá fora, Marcus estaciona o carro.
Uma onda de lembranças invade seus pensamentos quando ele olha para a
Suspirela, agora um pouco modificada. Se lembra dos bons e maus momentos, mas a
onda logo cessa e ele se concentra no que veio fazer. Se dirige à porta.
Peninha estaciona o seu veículo não
muito longe. Ele fica abismado ao ver quem estava na porta da Suspirela, e
esfrega os olhos, para confirmar a visão.
A campainha toca. Munique sai do
quarto.
Suspiro: Devem ser os meus hóspedes!
Como será que foi o primeiro dia de emprego no hotel? Aliás, espero que não
tenha ressentimentos quanto à isso.
Susana se levanta: Nenhum, Suspiro,
imagina! Eu entendo que eles precisam de emprego e o tal Monte Castelo é boa
opção- Ela se dirige a porta- E provando que não estou ressentida, vou
recepciona-los- Brinca.
Munique desce as escadas.
Susana gira a maçaneta e abre a
porta.
E vê Marcus.
TERMINA O CAPÍTULO 20.

Coitado do Munique... Pagando preço por ter entrado no caminho da Alexandra. E a mulher ainda tenta manipular Marcus falando que não é filho dele... Como???! Todo mundo, inclusive ela, diz que o menino é parecido. Marcus é bobo se acreditar nessa história. E torço que o Marcus sofra um pouco, mas quero que ele se reconcilie com o filho e que essa história termine bem. Já para Alexandra, desejo... bom, todo mundo já sabe. Andressa surtou, é isso mesmo???! Falando com uma bexiga, normal não pode ser. Acho que gostei de Margot e J.V (sou preguiçoso) juntos... Vamos acompanhar. Que ganchão! Qual será a reação de Susana??!
ResponderExcluir''Parece que o jogo virou, não é mesmo?'' Hahahahaha
ResponderExcluirAinda bem que o Munique foi mais rápido. Mas Alexandra parece que não vai desistir.
Margot e João... Será? Mas como fica o Munique? Tô curtindo Luckas e Fernie também.
QUE GANCHO.
Shippando Margão. Posso chamar assim? Acho que assim como João, o casal não pode se definir em uma só palavra.
ResponderExcluirE que dó da Andressa! Diferente do Marcus, dela eu tenho pena, principalmente pelos pais que tem... E Munique decidiu compartilhar dessa paternidade. Mas concordo com Marcelina e Suspiro, e acho bom que o garoto prove um pouco da nuvem negra que cerca Marcus.